Sabem aquela frase Como pode dizer que não gosta se não experimentou?? São palavras que lembrarei sempre ao descobrir algum livro de um gênero diferente. Steampunk, por exemplo. O que me vinha a cabeça quando pensava nessa palavra era metal enferrujado, fumaça, mineradores. Preciso fertilizar minha mente urgente!
O Baronato de Shoah é um Steampunk. Dons bons!
Nunca escondi do Zero (José Roberto Vieira) que não esperava nada de seu livro. Sinceramente. Comprei mais pelo fato de sermos parceiros de editora, sermos membros dragões. Foi mais um apoio do que interesse no livro em si. Como eu me arrependo de pensar que poderia não ter conhecido esse que se tornou um dos meus livros preferidos.
Quando dei uma chance e li o primeiro capítulo só pra saber do que se tratava, não consegui mais largar. As palavras são colocadas de uma maneira que prende sua atenção, e olha que eu demoro a focar atenção total quando leio.
Os personagens são construídos com tal maestria que consegui me identificar com vários. Não são aqueles personagens bobos, caricatos e com motivações estúpidas. Tá certo que um cara com braço de dragão ou um garoto com asas nas costas não é lá muito real, mas são meros detalhes que dão o tchan ao personagem.
A evolução de cada um dos vários personagens ocorre naturalmente. É ótimo ver um menino ingênuo se tornar um cruel assassino. Ou mostrar que até mesmo um rapaz arrogante e frio tem sentimentos e pode amar e respeitar. Nada forçado. Tudo no momento certo.
As cenas de ação são de tirar o fôlego. Você consegue imaginar cada sequência como em um filme. E que belo filme daria! Você torce pelos heróis como se estivesse ao lado deles.
Percebe-se que José Roberto Vieira não escreveu com pressa, afobado. Afinal, lançar a primeira obra Steampunk ou Dark Fantasy nacional deve deixar qualquer autor com úlceras de tanta ansiedade. Fica claro que o Zero teve cuidado ao escrever cada trecho, se preocupou com o desenvolvimento, com as escolhas das palavras, dos eventos. Tomou cuidado com cada detalhe, não saiu enfiando coisas "fodas" para o livro ficar grosso e cheio de ação inútil. Tudo é feito da maneira certa.
Particularmente me apaixonei pela personagem Maya. Ela poderia muito bem ser apenas uma filhinha de papai cercada de conforto, vivendo do bom e do melhor. Mas quem disse que a felicidade é apenas isso? Ela é, como posso dizer?, incrivelmente foda! De longe minha personagem favorita, suas cenas são um show à parte. A personalidade forte e o humor ácido e debochado me divertiram muito.
Aos fãs de Final Fantasy é prato cheio. Fortemente baseado na franquia, não deve em nada para qualquer um dos FF. Cenários bem construídos, fatos históricos críveis e personagens carismáticos, o Baronato de Shoah é um orgulho para o gênero de ficção, fantasia e, claro, Steampunk.
Agora resta torcer para que a sequência, A Máquina do Mundo, não demore muito a ser lançada. Torcer para que seja tão boa quanto O Baronato? Não é necessário. José Roberto Vieira já provou ser bom no que faz. Agora só precisa ser rápido.