Bendito ou maldito? Pio XII foi eleito papa no mesmo ano em que a Segunda Guerra Mundial estourou: 1939. Até hoje não se chegou a uma conclusão spbre a postura do religioso durante o Holocausto. Afinal, a Igreja foi omissa? Uma reação firme teria evitado ou aumentado o número de inocentes mortos?
Aventuras na História Nº 67 (Fevereiro de 2009) - Igreja e Nazismo
Eduardo Szklars
Fevereiro de 2009
A reportagem de capa trouxe abordagem sobre Pio XII, que ascendeu ao papado meses antes da Segunda Guerra Mundial e é figura controversa sobre o posicionamento da Igreja Católica em relação ao Fascismo e Nazismo, que a olhos vistos ceifaram milhares de vidas. A discussão vem a tona porque existe processo sobre sua beatificação se arrastando sem conclusões. O texto coloca algumas coisas em paralelo, como: - existem discursos em que manifestou repúdio às atrocidades antissemitas (lembrados por simpatizantes), mas foram extremamente velados e, na prática, o papa testemunhou muita coisa sem manifestação oficial contra; - teria aberto as igrejas para abrigar judeus, estimulando nisso os católicos, mas também, comprovadamente, ajudou na fuga e impunidade de criminosos nazistas para a América Latina; A reportagem passa por pontos como esse, enfatizando também que documentos católicos oficiais do contexto permanecem desconhecidos para o público, resguardados sem revelação. Oras, por que? Seja como for, católicos e protestantes posicionaram-se contra ou a favor do Nazismo em seu início e, evidentemente, difícil crer que com o desenvolvimento das atrocidades a maioria tenha sido favorável. É o que a sensatez faz supor, mas sabemos que o Cristianismo teve também desdobramentos absurdos e inimagináveis. O próprio antissemitismo pregado por Hitler, por exemplo, provavelmente veio das raízes vivenciadas por religiosos no passado. O Senhor levantou a igreja como voz a anunciar sua mensagem no mundo e manter-se sem aparente ação é algo que não condiz ao papel para os qual foi constituído. Triste quando desvia-se a centralização de Jesus para os homens, como os católicos fazem no desejo de beatificar, seja quem for, na infame idolatria, ou de evangélicos na atualidade que ridiculamente e de forma revoltante são capazes de fazer gesto de "arminha" nas igrejas. Esse Cristianismo mudo ou de alguma forma em apoio à falta de amor pela humanidade não partiu de Jesus. "A favorita do profeta" Outra reportagem no campo religioso, sobre Aisha, a esposa favorita de Maomé. Por motivações de cunho político, noivaram ela aos 6 anos e a casaram aos 9. Viveu com o profeta muçulmano até os 18 anos, quando então Maomé morreu. Segundo o texto, por ser a preferida, manobrava o contexto a seu favor de maneira ardilosa. O impacto significativo, no que entendi sobre ela, veio depois da morte de Maomé, em relação a disputa pela liderança no Islã, de onde nasceram os segmentos dos Xiitas e dos Sunitas. Muito disso porque Maomé não deixou filhos (os homens que gerou não vingaram e morreram cedo). Aisha tomou partido também, sem sucesso, e, por conta de suas pretensões, a reportagem informou que o costume de excluir a participação feminina na liderança foi ainda mais acirrado, culminando no uso radical dos véus em símbolo, de maneira como não havia nos tempos de Maomé. "Os senhores do deserto" Sobre a histórica cidade de Petra, na Jordânia. Em linhas gerais, foi construída por volta do século 3 a.C pelos Nabateus, como entreposto na rota do comércio oriental. Interessante que tem traços helênicos, o que evidenciou a influência da passagem dos gregos sob a liderança de Alexandre. Depois de alguns terremotos foi abandonada e permaneceu oculta à humanidade, conhecida apenas por beduínos, até o século 19. Nas notas históricas, tem informes sobre: - as origens de Mickey (criado como personagem alternativo de Disney em substituição a um tal Coelho Oswald, que tinha as mesmas características do conhecido rato, exceto nas orelhas e rabo... nem sei pra que me serve essa informação, mas registro); - o fim do Império Mongol (relacionado à supremacia chinesa em ascensão); - a seção "História Ilustrada", numa dinâmica de quadrinização de eventos históricos (mostraram como foi o assassinato do presidente Lincoln, em um drama ousado na disposição e fuga do assassino); - e a seção "Dito e Feito" com a etimologia para "Bode expiatório" (história bíblica no Antigo Testamento, sobre ritual em símbolo à remissão dos pecados em Israel). Das sugestões de leitura vou registrar "As águias de Roma", de Enrico Marini. É uma Graphic Novel em cinco volumes sobre confronto entre romanos e germânicos, representados no embate de Marco (cidadão romano) e seu meio-irmão Armínio (germânico). E assim, mais uma leitura no isolamento social imposto pela pandemia do coronavírus...
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