O passaporte do goumert - Um mergulho na gastronomia francesa

    Elisa Donel

    Ediouro
    1999
    268 páginas
    8h 56m
    ISBN-10: 8500007087
    Português Brasileiro

    Morando na França desde 1981, a jornalista Elisa Donel descobriu a grande paixão daquele país - a arte de comer bem. Com estilo cheio de humor e leveza, ela partilha suas descobertas gastronômicas e, ao mesmo tempo, revela a alma francesa. Neste livro estão os melhores restaurantes, os melhores vinhos e queijos, onde e como comprar ingredientes, o melhor de cada região, biografias dos grandes 'chefs', um panorama da história da gastronomia, enfim, uma grande e deliciosa viagem.

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    Léia Viana picture
    Léia Viana07/08/2016Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    “A boa cozinha é a da lembrança.” (George Simenon)

    Acredito que em boa parte das residências a cozinha ainda é aquele lugar que todos acabam se reunindo para um bom papo em volta de um café quentinho, uma sobremesa ou quando se esta cozinhando. De observador a cozinheiro, a cozinha é um dos lugares mais aconchegantes da casa e Paris é sempre um tema encantador, para filmes, viagens, conversas entre amigos, livros e gastronomia. Tenho muito respeito para quem domina a arte de transformar alimentos em pratos saborosos e agradáveis aos olhos, sou leiga nesse quesito, mas boa de garfo, adoro assistir meu amor cozinhando e amo ler, por isso, este livro tornou-se uma das leituras obrigatórias, e não menos prazerosa, para mim. O modo francês de comer é bem característico, neste livro temos praticamente um "tudo o que você precisa saber antes de comer ou beber qualquer coisa em Paris". Faz uma viagem nos costumes, na cultura, nas diferenças entre restaurantes, bistrôs, cafés, brasseries, os bons salões de chá, listas de queijos, manteigas e outros produtos. As carnes são um capítulo à parte, dá detalhes de como carnes, aves e peixes podem ser preparados (braisé, poelé, sauté, frit, a l'étoufée...). O seguinte texto li três vezes, tudo por causa do último parágrafo. "Chair-cuitier-saucississier-boudiniers ou cozedores de carnes, salsichas e boudins (tripas recheadas com mistura de sangue e carne de porco). Esse era o nome " charmoso" do atual charcutier. A profissão na França foi plena e oficialmente reconhecida em 1741, depois de séculos de brigas com açougueiros e traiteurs, e dava direito exclusivo àqueles senhores de vender carne de porco preparada e cozida. Mas os gauleses já eram conhecidos como excelentes charcutiers (suas especialidades eram vulvas e tetas de porcas que os romanos exportavam para todo o império). "Nunca, em toda a minha vida, pude ao menos imaginar que pudesse comer a vulva de uma porca! A leitura também nos proporciona uma aula de história culinária, ao traçar o perfil dos chefs que contribuíram para colocar a cozinha francesa entre as maiores do mundo, um guia das principais escolas gastronômicas e ainda nos informa, os vinte e cinco grandes chefs de hoje, apenas uma única mulher aparece, a americana Patricia Wells. Mas o livro não para por aí, o último capítulo é destinado às bebidas e fiquei espantada em descobrir que Paris é o terceiro país em que mais se consome cerveja! E eu que achei que a França fosse apenas a terra dos vinhos e champanhe... Ledo engano! Gostei muito da leitura, a escritora fez um bom panorama da cultura e costumes da gastronômica, da maneira de beber, preparar os alimentos, convidar e se comportar à mesa parisiense. Indico esse livro para os curiosos, cozinheiros profissionais e os de fim de semana, para aqueles que desejam conhecer Paris e não ser pego de surpresa ao escolher um prato e descobrir depois que trata-se da vulva de uma porca! Nunca mais me esquecerei disso! Leitura recomendada!

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