Morrer faz parte da vida e não deveria ser um processo ignorado ou negado durante ou após a mesma. Clarice Pierre, a autora, tem um trabalho especializado em psicoterapia com doentes crônicos ou terminais, focou seus estudos e oficio na reinterpretação da morte, bem como no seu real significado. É essa visão que ela aborda aqui em "A Arte de Viver e Morrer".
Nos primeiros capítulos do livro, Clarice apresenta ao leitor a ideia da morte, como ela é vista e encarada na sociedade até como ela realmente é. A morte é uma parte do ciclo da natureza, ou seja, é natural. Sensações como punição, castigo ou finitude são sensações desenvolvidas culturalmente por alguns povos acerca desse tópico, não necessariamente são coligadas. O objetivo da psicoterapeuta, no livro e no consultório, é diminuir a ansiedade que a morte traz e transformá-la num processo tranquilo, harmônico e feliz, enxergando o doente como ser humano e priorizando as suas vontades.
Após essa tese levantada, debatida e argumentada, Pierre narra vários casos que ela acompanhou em sua atividade. Desse ponto em diante é onde o leitor assimila as ideias apresentadas e como elas podem ganhar protagonismo na prática. São capítulos de muita sensibilidade, empatia e aprendizado.
Ao final da leitura, a mente está mais íntima de um modo de lidar diferente com o que antes a machucava. Ainda pode ser difícil encarar a morte quando ela chegar, mas será mais natural a superação acerca do luto sofrido.