Meu Tipo de Garota -

    Buddhadeva Bose

    Companhia das Letras
    2011
    152 páginas
    5h 4m
    ISBN-13: 9788535917918
    Português Brasileiro

    Quatro passageiros que não se conhecem dividem a desconfortável sala de espera da estação de Tundla, na Índia, enquanto esperam a ferrovia voltar ao funcionamento depois de um descarrilamento de trens. O grupo inclui um empreiteiro, um alto funcionário militar do governo, um médico de grande clientela e um escritor melancólico. Inspirado pela aparição de um jovem casal de namorados, um deles sugere que os quatro passem o tempo contando histórias de amor que tenham acontecido a eles próprios ou a pessoas conhecidas. Por meio dessas histórias, que podem ser lidas quase como contos autônomos, o escritor bengali Buddhadeva Bose revela de modo sutil as relações culturais, raciais e religiosas na Índia da primeira metade do século XX. Poucos autores conseguem entrelaçar de modo tão fluente e aparentemente espontâneo a observação das emoções humanas e a descrição da vida social. Publicado originalmente em 1951, Meu tipo de garota é um dos livros mais importantes do poeta, romancista e tradutor Bose, considerado um dos grandes escritores bengali do século passado.

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    Henrique Luiz Fendrich picture
    Henrique Luiz Fendrich06/03/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Trata-se de um pequeno “Decameron”, bem mais lírico, que se passa na Índia moderna. Aqui não é uma terrível peste que reúne um grupo de pessoas para contar histórias, mas o simples atraso de um trem. Um grupo de quatro homens já com certa idade se vê obrigado a passar a noite na estação de trem e, para passar o tempo, põe-se a contar histórias de amor como as do clássico do Boccaccio. As histórias do livro de Bose (são quatro apenas), no entanto, não possuem absolutamente nada da verve satírica do autor italiano. São contos essencialmente poéticos e com uma acentuada nota melancólica. A própria motivação para que o grupo desse início às histórias tem a sua beleza: enquanto esperavam em uma sala na estação de trem, um jovem casal assomou à porta, irradiando felicidade amorosa, olhando para dentro e logo saindo. Esse simples episódio fez cada um se lembrar de antigas histórias de amor que viveram ou que tomaram conhecimento. Assim como o “Pequeno Príncipe” não é um livro para crianças, por trazer justamente a mensagem da infância, talvez esse não seja um livro para apaixonados, por trazer a mensagem dolorosa que, com frequência, está por trás das nossas paixões. Há a paixão que não se realiza nunca, a que leva à vingança, a que começa na juventude e, com o passar dos anos, não se torna mais do que uma persistente idealização, em oposição aos próprios parceiros atuais. Há aquela paixão arrebatadora que ameaça levar tudo de roldão, mas que no fim das contas passa, e então se aceita outro destino, um que talvez seja até mais feliz. E há um tipo de paixão que leva à sujeição do seu portador em relação ao objeto amado, a uma adoração praticamente religiosa que não se importa sequer que o ser amado ame outra pessoa. Tudo passa pela pena de Bose, todas as incompreensões, os desacertos, os desencontros, os erros, os acertos do tempo. É um livro pequeno, singelo, adorável, uma graça. E pensar que eu, quando o peguei, havia pensado: “Bá, só mais umas historinhas de amor”. Eu não sei de nada.

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