Este livro é uma coletânea de contos de vários países do mundo, com um conto para cada país. Esso talvez tenha sido o problema do livro.
Quando lemos uma coletânea de contos de um país específico (como a da Rússia, da mesma editora, que é bem legal), conseguimos apreender pouco a pouco, conto a conto, o inconsciente coletivo do país em questão, além de conseguirmos um panorama mais amplo da literatura de tal país.
Isso não ocorre neste livro. A cada conto somos transportados para um país diferente, o que seria interessante se conhecêssemos a história, a geografia, o clima e a cultura de cada país. Isso conta muito na apreciação de um livro.
Por exemplo, no livro a Civilização Grega, Peter Levi especula que devido ao fato de partes da Grécia serem montanhosas e inexpugnáveis (na região centro-norte, onde fica o Monte Olimpo), a mitologia grega ganhou força, pois, como os gregos não conheciam a região norte, substituíam a ignorância pela imaginação, imaginando essa região como sendo de fato o Olimpo dos Deuses.
Essa simples informação, que não é literária, mas apenas geográfica, já ajuda entender a formação do imaginário grego e a sua relação com os mitos. Agora, vale a pena estudar a história de todos os países do livro, simplesmente com o fim de avaliá-lo melhor? Creio que não. As melhores coletâneas de contos ainda são as focadas em um único país, autor ou gênero. Logo é difícil apreciar um livro esparso como este.
Apesar disso, temos contos muito bons, como "Raios de Sol", Dvora Baron, de Israel; "O Espelho", Machado de Assis e "Um Anjo de Caridade", Necdet Olcmen, Turquia.
7/10.