A Palavra Nunca -

    Eric Nepomuceno

    Nova Fronteira
    1985
    166 páginas
    5h 32m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
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    Carlos Alberto Nascimento picture
    Carlos Alberto Nascimento19/01/2011Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A Palavra Nunca.

    Existem certas experiências que a literatura lhe proporciona. Como a de ler uma estória onde o escritor descreve a caminhada de uma patrulha de soldados em plena guerra, e descreve a chuva que começa, o cheiro do mato molhado e bosta de vaca, e você, deitado em sua cama, dentro do seu quarto com as janelas fechadas em plena duas horas da madrugada começa a sentir o cheiro de mato molhado. É um ponto em que você está tão compenetrado na estória, em que o escritor consegue lhe envolver tão bem e o segura na narrativa, que ela começa a tornar-se algo palpável dentro de você. Você está dentro da narrativa, ela faz parte de você agora. As palavras e seu poder. E foi algo assim que aconteceu comigo enquanto lia uma das estórias do livro “A Palavra Nunca” de Eric Nepomuceno. Livro de contos escrito entre os anos 70 e começo dos anos 80, os contos foram escritos antes de meu nascimento, e me caiu nas mãos a uns 6 anos atrás por via de um professor. Reencontrei o livro no final de dezembro de 2010 em um sebo, enquanto procurava algum um livro para presentear. E assim que o vi, logo tratei de colocar em meu bolso. Em “A Palavra Nunca” Eric Nepomuceno fala em seus contos sobre a infância, sobre o tempo que passa, sobre as mudanças que a vida proporciona, sobre tempo que não pode mais voltar. Fala belamente da saudade da infância, de amores jogados fora, de pessoas abandonas e nunca esquecidas. Fala da memória e em como ela pode se tornar uma cicatriz pronta a ser aberta a qualquer comento pelas gavetas da mesma memória. Dividindo o livro em 5 partes; “Histórias da Primavera”, “Histórias de Inverno”, “Histórias sem tempo”, “Histórias do Outono” e “Histórias de um Tempo Qualquer”, Nepomuceno escreve sobre a solidão, medo, descrença e o horror que é a guerra, costurando maravilhosamente contos que se tornam quase reais quando lidos. As sensações são emanadas a ponto que o leitor possa sentir um cheiro, um gosto, uma tristeza, a ponta da melancolia de um tempo em que todos vivemos, e que já se foi. E que nunca poderá ser recobrado.

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