Pátria é onde você se sente um cidadão, não onde se nasce
Trata-se de um livro sobre migração nipo-brasileira. Um garoto japonês que migra para trabalhar na lavoura em fazenda no interior do estado de São Paulo para enviar dinheiro à família que ficou no Japão. Um livro de formação desse mesmo garoto, um self-made. Obra que trata de crescimento humano, de resiliência, de resignação, de amor à vida e ao ser humano. Tem um conteúdo muito emocional e cultural. Tive um envolvimento muito pessoal com a obra, pois gosto de temáticas relacionadas à cultura japonesa, aos valores japoneses, inclusive valores familiares e religiosos. Gostei do livro por trazer um retrato cultural e histórico japonês e seu choque de civilização que foi enfrentado por um adolescente, que além de tudo isso ainda teve que lidar com a distancia da família, apesar de ter sido adotado pela família nipônica local no Brasil, na fazenda onde trabalhou e morou. O livro conta sua história e a forma como ele abraçou esse novo mundo, novo país, novos pais, novos amores, novo tudo. Um livro pequeno, mas primoroso e autêntico. Não se trata de um livro para todos, pois a temática é um nicho de literatura, mas nao para um gosto generalizado. É um livro honesto, que trata da trajetória de vida de um migrante que buscou por melhores condições de vida para si e principalmente para sua família. Um menino que teve que lidar com um altruísmo autodesenvolvido enquanto estratégia de sobrevivência, pois ele sempre viveu em função do outro, de sua família. Um cidadão para o mundo, um ser humano. Um livro bonito, intimista, reflexivo e sobretudo cultural e harmônico com a vida e seu entorno, seu meio. Foi uma leitura de minha adolescência que muito me marcou, indicado por um colega de escola que tinha origem nipo-brasileira também. Já não me lembro mais do nome do colega, mas o livro ficou em minha memória. Um livro para o resto da vida. Vale muito a pena sua leitura. Recomendo fortemente.

