Uma Era Secular -

    Charles Taylor

    Editora Unisinos
    2010
    930 páginas
    1d 7h 0m
    ISBN-10: 8515018950
    Português Brasileiro

    O lugar da religião na sociedade ocidental passou por profundas modificações nos últimos tempos e hoje se poderia dizer que vivemos uma era secular. Neste livro, Charles Taylor trata do significado dessas modificações, descrevendo detalhadamente a passagem de uma sociedade em que praticamente é impossível não acreditar em Deus para a nossa sociedade na qual até mesmo para o crente mais fervoroso a fé se apresenta apenas como uma possibilidade humana entre outras. Numa perspectiva histórica, Taylor examina o desenvolvimento dos aspectos seculares no "cristianismo ocidental" e a contínua multiplicação de novas opções religiosas, espirituais e até mesmo antirreligiosas.

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    Luiz Adriano Borges21/10/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Tour de force sobre a ideia e origem da secularização.

    Um verdadeiro tour de force sobre a ideia e origem da secularização. Uma visão histórica-filosófica-teológica, traçando as origens do secularismo moderno, presentes na ciência (natural e social) e na tecnologia, que culmina num desencantamento e mecanização de toda a vida. São 20 capítulos, sendo que cada capítulo daria um livro por si só. Veja-se o capítulo 13, "A era da autenticidade", que efetivamente tem uma versão em livro, expandida do "Era secular". Claro que a Reforma protestante tem para Taylor ponto central nesse desencantamento, e também numa maior disciplina e reordenação da vida e da sociedade. A primeira parte trata disso. Assim, vamos avançando cronologicamente, passando pela Idade Moderna, iluminismo, final do século XIX, início do XX até os dias atuais, nas eras da Mobilização e da Autenticidade. Temas principais: uma critica à visão excarnada, isso é a constante descorporificação da vida espiritual; imaginário social, que diverge da ideia de cosmovisão; as dificuldades de se buscar uma razão desengajada e aceitar os enunciados de uma ciência pretensamente neutra; a luta contra a noção de pecado e busca de transcendência, que parece inerente à todo ser humano... Por fim, como solução para muitos problemas éticos atuais Charles Taylor aponta uma visão comunitarista e assinala a ética das virtudes como corolário para atuação com relação ao outro (aqui ele faz uso de Ivan Illich e sua interpretação da parábola do bom samaritano. Teria Tim Keller se inspirado nessa passagem em seu livro Ministérios de misericórdia? Não sei porque ainda não li este). Enfim, um livro pra ser degustado aos poucos, porque exige bastante atenção e conhecimento filosófico e histórico. Foi interessante ver muitas leituras que fiz ao longo da vida sendo articuladas na interpretação de Taylor. Um livro que possibilidade inúmeras possibilidades de exploração e de uso. Extremamente profícuo.

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