150 ANOS DE SUBURBIO CARIOCA -

    Marcio Pinon de Oliveira (Org.), Nelson da Nobrega Fernandes (Org.)

    Lamparina
    2010
    253 páginas
    8h 26m
    ISBN-13: 9788598271750
    Português Brasileiro

    Este livro é uma bela homenagem à historicidade dos lugares, pois recupera a complexidade socioeconômica e cultural de uma vasta área do Rio de Janeiro geralmente desvalorizada pelo pensamento dominante. Essa homenagem implica uma recusa da seletividade espacial que sustenta a estrutura hierárquica e excludente da cidade; seletividade que naturaliza desigualdades sociais, estigmatiza a sociabilidade de grandes segmentos da classe trabalhadora e legitima privilégios econômicos e políticos. Ao enfrentar omissões e esquecimentos, o livro rompe com dicotomias repetitivas (favela × asfalto, centro × periferia), abrindo a percepção do leitor para a dinâmica social subjacente a paisagens rotuladas como secundárias ou como destituídas de simbologias relevantes. Com essa abertura da percepção, emergem outras representações sociais, correspondentes a outros relatos e fios condutores da história da cidade. Com esses fios e relatos, conjugam-se, nos textos aqui reunidos, práticas sociais e usos do espaço em direção a um imaginário urbano plural e historicamente informado. Para a afirmação desse imaginário, 150 anos de subúrbio carioca traz o resultado de competentes pesquisas documentais, além de conceitos, imagens e mapas. Esses elementos traduzem-se num convite para que o leitor ultrapasse fronteiras físicas e discursivas, elaborando seu próprio roteiro para uma visitação – efetiva ou apenas sonhada — a outras faces da cidade, recuperando ideários perdidos, territorialidades omitidas e dimensões esquecidas do cotidiano. Esse convite expressa uma necessidade do presente, já que corresponde ao enfrentamento de mecanismos responsáveis pela desqualificação de recursos materiais e culturais que podem favorecer a projeção de futuros mais íntegros e generosos.Dar visibilidade ao passado significa dar sentido à experiência urbana, às lutas diárias e aos afetos, tornando essa disputa mais igualitária e justa. Os autores assumiram essa tarefa e percorreram, em sua realização, caminhos plenos de enredos e bifurcações. O leitor dispõe, agora, de uma cartografia aberta, composta por memórias, que o anima à descoberta da riqueza do espaço vivido. Ana Clara Torres Ribeiro Socióloga, professora e pesquisadora do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Ippur-UFRJ).

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    Carolinne de Morais Gonçalves16/04/2013Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Resenha: 150 Anos de Subúrbio Carioca

    Eu ganhei esse livro do meu noivo em 2010 e só fui ler mesmo esse ano. É vergonhoso admitir isso, mas enrolei para lê-lo e nem sei por qual motivo. 150 Anos de Subúrbio Carioca não é um livro de histórias, mas de História. É uma coletânea de textos que relatam do "subúrbio" zona sul até o morador da favela da zona norte, cada um com seu ponto de vista. Uma nova forma de conhecer o Rio de Janeiro, sob o olhar de profissionais de áreas distintas. O primeiro texto é "Quando os subúrbios eram arrabaldes: um passeio pelo Rio de Janeiro e seus arredores no século XIX" e traz ao leitores os arredores da capital carioca. E pasmem: a nossa conhecida zona sul era denominada subúrbio. Do ponto de vista que o Rio de Janeiro urbanizado se resumia apenas ao centro (e também era o limite da cidade formal) e qual outro local era considerado subúrbio. Através de relatos de viajantes que estiveram por aqui, o leitor descobre curiosidades e uma cidade que infelizmente não conheceremos mais. Sinceramente, eu viajei lendo esse texto, imaginando cada local visitado. O texto seguinte é "Marechal Hermes e as (des)conhecidas origens da habitação social no Brasil: o paradoxo da vitrine não vista" e nos conta um pouco dos planos urbanísticos e de habitação social do então presidente Marechal Hermes da Fonseca para a Vila Proletária Marechal Hermes no início do século XX. É curioso que este presidente também tinha planos para uma outra vila proletária em Manguinhos (que não saiu do papel e não se sabe o motivo), algo que a prefeitura e governo atuais querem transformar em bairro modelo. Será que eles se inspiraram nessa ideia? O que mais curti desse texto é que pude saber mais sobre os imóveis remanescentes, aqueles sobrados que beiram a Rua João Vicente, e das outras casas das ruas mais internas. Pena que não foi concluído na época e demorou mais de 20 anos para que Getúlio Vargas, presidente na época, retomasse as obras e concluísse o plano de Hermes. Incluiu o Teatro Armando Gonzaga e o Cinema Lux (sim gente, Marechal Hermes tinha cinema). Hoje é uma igreja evangélica - isso me faz lembrar uma música do Gabriel O Pensador. Uma pena, pois ele é o único cinema que conheço que possuía cobertura abobadada. O bairro completará 100 anos em 1º de maio de 2014. Continuando a leitura, o texto a seguir é "A trajetória de um subúrbio industrial chamado Bangu". Conta-nos um pouco sobre a fábrica Bangu, atual Bangu Shopping, e como foi importante para a criação do bairro, que começou como uma vila proletária. A fábrica foi importante para o desenvolvimento da região e se aproveitou da linha férrea para escoar sua produção. Para quem não sabe o Estádio de Moça Bonita, que pertence ao Bangu Atlético Clube e tem como nome verdadeiro Estádio Proletário Guilherme da Silveira, foi criado ainda no inicio do século XX com investimentos da fábrica Bangu e o time era composto pelos funcionários da fábrica. Ainda falando sobre bairros do subúrbio, temos o texto "Ferrovia e segregação espacial no subúrbio: Quintino Bocaiúva, Rio de Janeiro". Esse texto aborda a segregação trazida pela linha férrea e seus muros separadores. Muitos bairros que são cortados pela ferrovia sofrem do mesmo problema, transformando-os em 2 locais bem distintos. Falo isso por Madureira, bairro onde eu moro. Aqui 2 linhas (linha do centro e linha auxiliar) fazem com que o bairro se divida em 3 "lados", cada um com características peculiares. Da cidade formal para as comunidades, onde tudo começou. Favela também faz parte do subúrbio e o texto "A favela e o subúrbio: associações e dissociações na expansão suburbana da favela" nos alerta para isso. Assim como o texto seguinte "Outras memórias nos subúrbios cariocas: o direito ao passado" quer dizer que o subúrbio tem história e que precisa ser conhecida, não apenas ser restrita a meros dados que muitas vezes são difamatórios. Falando em difamação, o penúltimo texto aborda essa temática. Em "As representações subalternas dos homens suburbanos" o modo pejorativo de como os homens suburbanos são retratados por outras camadas mais abastadas da sociedade é o foco central. Não é algo atual, é bem antigo e alguns autores, como Lima Barreto, retrataram em suas obras. A fama de truculento e sem educação não é de hoje. E finalizando o livro temos "Rio, Zona Norte: um olhar sobre o subúrbio carioca". O texto traz a luz o subúrbio retratado no filme Rio, Zona Norte. Na verdade o subúrbio do filme se resume a uma favela localizada no bairro de Engenho de Dentro, onde vive o personagem principal. Apesar de ser considerado um livro técnico, não o acho de leitura sacrificante. Eu o classificaria de cultural e histórico. Recomendo a todos os cariocas a conhecerem um pouco mais da sua cidade. Que é bela e possui uma rica história mesmo longe da zona sul. Publicado também em: http://lostmemoriesplace.blogspot.com.br/2013/04/resenha-150-anos-de-suburbio-carioca.html

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