Um livro autobiográfico onde acompanhamos a morte da mãe da autora, de um câncer descoberto por acaso e que causou muita dor e sofrimento antes do golpe final. Ao mesmo tempo em que discorre sobre o significado dessa morte eminente, Simone de Beauvoir também nos apresenta a personalidade de sua mãe, uma mulher apaixonada e cheia de desejos que foi reprimindo a si mesma e sendo reprimida pelo marido, pela sociedade, pelas filhas. Quando finalmente decide viver da maneira que sempre quis, livre, sem fantasmas, já é tarde. Os conflitos silenciosos entre mãe e filha, o incômodo de uma em presença da outra, a incompreensão entre elas vai sendo revisto e dissipado aos poucos enquanto a mãe se esvai. De certa maneira o livro me pareceu um desabafo, uma narrativa do sofrimento não só da mulher que morre, mas também dessa filha que se vê perdendo-a e que chora não só pelo momento presente, mas por um passado irrevogável de ausências e desentendimentos. Quem não se entende ou simplesmente não se sente à vontade com sua mãe ou com seu filho, vai compreender essa perda dupla.