O livro é um clássico da literatura australiana. Narra uma história de amor ambientada no Extremo Oriente durante a Segunda Guerra Mundial e posteriormente no outback australiano, e fala das mudanças impostas pela guerra à sociedade. O narrador conta a história de Jean Pagett, uma secretária inglesa na Malásia. Capturada com outras mulheres, ela passa os três anos seguintes numa excruciante "marcha para a morte" pela península malaia. Ao longo desse período, se afeiçoa a Joe Harman, um prisioneiro de guerra australiano, mas depois acredita que ele foi morto. Terminada a guerra, ela revisita a Malásia e descobre que Joe ainda está vivo e o romance deles renasce.
Uma Cidade Para o Amor -
Nevil Shute
Os sonhos de cada um
Nevil Shute passeou por uma área perigosa ao escrever este livro. Muitas vezes, querer colocar um personagem como um herói gera o risco de se conseguir. Explico: Se criamos um personagem muito heróico, perde sua característica humana, perde o toque de realidade. Para nos envolvermos plenamente com um personagem, temos que sentir sua realidade. Temos que conhecer seus defeitos, até mais que suas qualidades. Supervalorizar um personagem, portanto, pode tornar a história enfadonha, conto de fadas demais para o meu gosto. Foi exatamente o que aconteceu em um livro que recentemente abandonei: "Tempo entre costuras" (e dificilmente abandono um livro) Em "tempo entre costuras" como em "uma cidade para o amor", temos mote parecido: Uma mulher de fibra que passa por maus bocados mas dá seu jeito de transformar o mundo ao seu redor. A grande diferença é que um faz isso de forma deprimente. Carrega demais na tinta "mulher de fibra supera tudo, se vinga do mundo, dá a volta por cima", como se fosse uma matéria escrita em revistas femininas.. Livro escrito somente para mulheres. Ainda assim, das que se encantam com um conto de fadas, da mulher sofrida que dá a volta por cima. Já em "Uma cidade para o amor", apesar de eu ter torcido o nariz para o título, temos algo parecido, mas muito melhor desenvolvido. A história, primeiramente, se baseia em uma história real, o que já lhe agrega muito valor. A pseudo heroína é retratada de forma mais suave. E se aproxima de pessoas que convivem conosco. A história é muito mais crível e menos forçada. A descrição da vida na Austrália por volta de 1950 é fantástica. Retrata em detalhes a vida em uma terrra inóspita, desabitada e por se desenvolver. O narrador (o advogado que administra os bens da protagonista) conquista nossa simpatia com extrema facilidade. O sofrimento a que protagonista Paget é submetida comove, preocupa. E, no fim, trata-se de uma história de amor. Mas não se limita a isso. Trata-se muito mais de alguém que não mede esforços e não teme buscar seus sonhos. Em um mundo onde todos cada vez mais optamos pela solução mais fácil, ao invés de insistir em nossos sonhos, em ter o que queremos realmente. E não o que o mundo nos oferece como alternativa. Isso é fibra. E a fibra, acompanhada de paciência e persistência, normalmente é recompensada. Pequeno deslize foi apenas na descrição do personagem masculino da trama, o vaqueiro australiano. Aqui o autor perdeu a mão e carregou demais na caricatura. Mas nada que atrapalhe o livro como um todo bem feito.
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