O título desta obra não é gratuito. Há, ao longo de cada página, uma investigação minuciosa do gesto humano (não apenas como movimento físico, mas como a única forma de expressar o indizível). Para Osman Lins, o gesto é onde a alma transborda quando as palavras comuns falham.
Nascido em 1924, em Pernambuco, Osman foi um dos autores mais rigorosos e inventivos do nosso século XX. Embora nunca tenha sido um autor “de massas”, ele permanece como um mestre da experimentação. Sua escrita é um manifesto contra a banalização da experiência! Ele exige do leitor uma participação ativa, uma atenção muuuito sagrada aos detalhes.
Dois contos, em especial, tocaram mais fundo por cá: Elegíada (tateia a perda e a memória, o luto como uma construção de ausências) e O Conto de Circo (visualmente muito impactante pra mim, Osman nos conduz aos bastidores da fragilidade humana por trás do brilho do espetáculo).
A precisão de Osman, contudo, não exclui a sensibilidade. Em que pese ser este livro uma verdadeira ode aos gestos, é fascinante como sua escrita fisga justamente pela via “oposta”: a da palavra.
Ora, são suas palavras (tão exatas na técnica e na forma) que, alfim, nos alcançam e nos traduzem.
Foi meu primeiro contato com a obra do autor e a edição está belíssima. Ela possui uma textura bem diferente, e, neste caso, só mesmo com os gestos para compreender a arte que a editora imprimiu aqui, haha..
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