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    Ladrões de Beleza -

    Pascal Bruckner

    Rocco
    1999
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-10: 8532509703
    Português Brasileiro
    4.1
    25 avaliações
    Leram40Lendo1Querem31Relendo0Abandonos3Resenhas2
    Favoritos4Desejados31Avaliaram25

    A beleza de uma mulher pode ser tão ostensiva a ponto de ser considerada um crime? Podemos punir as pessoas belas por nos infligir o espetáculo da perfeição? Estas são as questões lançadas pelo romancista e ensaísta Pascal Bruckner em “Ladrões de beleza” — romance vencedor do prêmio Renaudot de 1997. Bruckner, autor do sucesso “Lua de fel”, adaptado para o cinema por Roman Polanski, apresenta a história de Benjamin Tholon, 38 anos, escritor medíocre que publica um romance desenvolvido a partir de um engenhoso método de plágio. A partir da ideia de algum escritor desconhecido, Benjamin fazia um apanhado entre os grandes e pequenos mestres do passado para construir seu texto. Uma colagem de frases e ideias dos mais diversos romancistas. Barroco, divertido e angustiante, “Ladrões de beleza” é um livro repleto de perversos jogos sexuais que envolvem o leitor da primeira à última página.

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    Camilla Victória picture
    Camilla Victória04/04/2020Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Intrigante

    O livro dá um nó na cabeça! Há personagens perversos que enganam os demais, visando conquistar seu louco objetivo de roubar-lhes a sua beleza.

    2 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.1 / 25
    • 5 estrelas44%
    • 4 estrelas24%
    • 3 estrelas20%
    • 2 estrelas12%
    • 1 estrelas0%
    Pascal Bruckner profile picture

    Pascal Bruckner

    é um escritor consagrado, com mais de 15 livros importantes publicados e traduzidos em vários países. Analista de temas de impacto no cotidiano das sociedades pós-modernas, hipermodernas ou da modernidade tardia, ele só poderia figurar na seleta lista de palestrantes do ciclo Fronteiras do Pensamento, com apoio da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Bruckner fez parte do chamado grupo dos “novos filósofos", junto com Alain Finkielkraut, Bernard-Henri Lévy e André Glucksmann, uma turma de pensadores, “filhos de maio de 1968", que atacou o marxismo, o estruturalismo e os totalitarismos de esquerda e de direita num tempo em que as ditas utopias revolucionárias ainda incendiavam a imaginação de estudantes e de intelectuais dispostos a mudar o mundo. Um dos seus temas mais relevantes é o do culto à felicidade. Em A euforia perpétua, ensaio sobre o dever da felicidade (2002), ele investiu contra um dos pilares do senso comum pós-1968: o imperativo categórico, a obrigação de ser feliz, um imaginário que gera frustração e depressão. Essa perspectiva também é sustentada por outro filósofo francês, Gilles Lipovetsky, em A sociedade da decepção (2008), e pelo célebre romancista Michel Houellebecq em Extensão do domínio da luta (2002). Bruckner está em sintonia com o seu tempo e com a sua cultura. Se antes de 1968 as noções de dever e de sacrifício determinavam os comportamentos e produziam infelicidade, depois das revoltas estudantis que abalaram o mundo, impôs-se uma espécie de liberação total e de obrigação de satisfazer todos os desejos. A mídia passou a ter papel determinante na produção e consolidação dessa visão de mundo. Não ser feliz, conforme os padrões dominantes, tornou-se sinônimo de fracasso e de crise existencial. Bruckner usa a ficção e o ensaio para pensar sobre problemas contemporâneos. Não teme fazer uma ficção ensaística. Já ganhou importantes prêmios literários franceses como o Médicis (1995) e o Renaudot (1997). O que é a felicidade? Como encontrá-la? O que fazer com ela? Pascal Bruckner indica que as pessoas têm dificuldade para definir felicidade, o que as deixa confusas em relação ao que buscar, ficam apáticas depois de conquistar alguma das supostas marcas da felicidade e desenvolvem temores de todo tipo, tornando-se frágeis por medo de perder, de não estar à altura das expectativas sociais e por comparação com outras pessoas pretensamente mais felizes. A felicidade teria passado a ser um atestado de êxito na sociedade. Não ser feliz equivaleria a não ser bem-sucedido, a ser um fracassado. Outro tema recorrente de Pascal Bruckner é o amor. Em O Paradoxo Amoroso - Ensaio sobre as Metamorfoses da Experiência Amorosa (2011), ele sustenta que os amantes de hoje sofrem por excesso e não por falta. Quando tudo se torna possível e permitido, diariamente estimulado, a rotina e o tédio espreitam cada romance. Como renovar a experiência afetiva num universo de esgotamento das relações pela banalização dos rituais, dos limites e dos sonhos? Michel Houellebecq fala na sexualidade como um sistema de hierarquia social. Não é incorreto sugerir que para Pascal Bruckner a felicidade é um sistema implacável de distinção social com forte influência da mídia e da indústria cultural, temas que têm sido estudados pelos pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da PUCRS nas suas investigações de estudos culturais, imaginário e espetacularização da sociedade. O professor Francisco Rüdiger, por exemplo, é autor de O amor na mídia – problemas de legitimação do romantismo tardio (2013), obra na qual aborda a procura incessante das pessoas pelo bem-estar orientado, essa era do terapêutico, do desenvolvimento pessoal, dos manuais de autoajuda e do culto ao corpo perfeito e da obrigação de realizar-se inteiramente. De maneira sutil, Pascal Bruckner relança uma velha questão: tudo na vida se tornou, como denunciava Guy Debord, mercadoria? A felicidade é um produto a ser comprado e consumido?

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