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    O Filósofo Voador - Não tem

    Eduardo Rascov

    terceira margem
    2009
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-13: 9788579210198
    Português Brasileiro
    4.2
    6 avaliações
    Leram7Lendo0Querem3Relendo0Abandonos0Resenhas2
    Favoritos0Desejados3Avaliaram6

    O livro “O Filósofo Voador” é um romance baseado na história do ex-trapezista Dover Tangará, considerado um dos maiores artistas de sua geração, hoje morador de rua. Ele é uma vítima esquecida da repressão militar. O autor utilizou técnicas ficcionais para melhor narrar as peripécias entre picadeiros e sarjetas do protagonista. Dover Marques Ribeiro, que aos 20 anos foi considerado o maior trapezista brasileiro, aprendeu a arte do trapézio desde pequeno, com seus irmãos. Ele pertence a uma tradicional família do circo brasileiro, os Tangarás. Debaixo da lona do circo, Dover Tangará desempenhou várias funções: acrobata, ginasta, trapezista, ator de circo-teatro, palhaço (Casquinha)... Quando a Trupe Tangará estava no auge, no início da década de 70, um incidente mudou completamente a vida de Dover: foi preso pela polícia política, em Curitiba, acusado de ter dado falso testemunho a favor do argentino Mirabel, o contorcionista do circo Águias de Ouro.

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    Vanessa Vieira da Costa picture
    Vanessa Vieira da Costa24/11/2019Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O Filósofo Voador - Eduardo Rascov

    O livro O Filósofo Voador, do paulista Eduardo Rascov, nos traz uma história bem delineada e interessante sobre o artista circense Dover Tangará, conhecido como um dos maiores trapezistas do Brasil e que, infelizmente, passou os últimos anos de sua vida vivendo nas ruas de São Paulo. Aos vinte anos de idade, Dover fazia muito sucesso no circo, ao ponto de ter o mundo aos seus pés mas, após sofrer um bruto golpe da repressão militar, viu tudo o que tinha esfarelar sobre as suas mãos, sendo obrigado a morar em um trailer pelo subúrbio de São Paulo, conhecendo a violência, as drogas, as bebidas e todo o submundo da periferia face a face. Confesso que este é o tipo de livro que não faz muito o meu gênero, mas fui surpreendida positivamente com a história de vida de Dover, sobretudo com a escrita de Rascov, que tem traços tantos biográficos quanto poéticos. Não precisamos ir muito longe para conhecermos histórias de pessoas que viveram na fama e estrelato e de repente, perderam tudo, como num passe de mágica. Muitas por esbanjarem dinheiro alimentando os seus instintos mais primitivos; já outras porque foram prejudicadas em algum momento por alguém ou vieram a sofrer algum infortúnio. Dover nasceu em uma família circense tradicional e desde cedo, teve a lona do picadeiro como o seu mundo, ou melhor dizendo, como sua segunda pele. Em meio a acrobacias e números audaciosos pelo ar, ele foi ovacionado pelo público por diversas vezes, experimentando o gosto da glória e da fama. Porém, na década de 70, Dover foi alvo da ditadura militar, o que fez com que ele fosse preso injustamente em Curitiba, acusado de ter dado falso testemunho a favor de um contorcionista argentino. Desde então, iniciou-se o calvário na vida do artista circense, que acabou indo parar em um hospital psiquiátrico, o que acabou por minar pouco a pouco sua mente e a levá-lo para a sarjeta. Em meio aos mendigos, enfrentando a realidade nua e crua das ruas e as intempéries do asfalto, Dover luta para manter sua dignidade e sabedoria, ajudando como pode as pessoas ao seu redor e fantasiando um mundo só seu, onde ele ainda pode voar livremente - tal como nos picadeiros. O Filósofo Voador retrata não só a história deste artista circense - até então esquecido e ainda obscuro para muitos - como também a queda vertiginosa de muitas pessoas do estrelato para o caos, bem como a luta da arte e da cultura para sobreviver em meio a um mundo que lhes fornece tão parcos recursos e insiste em se fundir cada vez mais com a tecnologia. Eduardo Rascov deu tons ficcionais a este personagem real, transportando sua história de vida para a literatura com uma linguagem poética, o que transfigurou-se em uma biografia quase que romantizada de Dover Tangará e de sua trajetória tão acalorada e árdua por este mundo. Com uma narrativa feita em terceira pessoa e dividida em dois tempos, acompanhamos as memórias de infância e adolescência de Dover Tangará em meio as suas peripécias no trapézio como também a urbe formada pelos moradores de ruas, sem a assistência do Estado, família e amigos, tendo como consolo o frio e duro asfalto e a paisagem nebulosa e sombria do céu aberto. O que mais me chamou a atenção no personagem foi a sua generosidade e dignidade diante de todos os obstáculos. Mesmo carente, sem recursos e quaisquer tipos de bens materiais, Dover sempre procurou ajudar as pessoas ao seu redor, seja com uma palavra; abrigando-as em seu humilde e pequeno trailer ou até mesmo as protegendo da bandidagem e da violência, de acordo com a sua integridade e modo próprio de ser. Infelizmente, Dover Tangará foi vítima da violência que tanto presenciou nas ruas, sendo espancado até ficar tetraplégico e morrendo em um hospital em agosto de 2012 Em síntese, O Filósofo Voador retrata em suas páginas não somente a história do artista Dover Tangará como também um pouco da história da urbanização de São Paulo, especialmente durante o projeto de revitalização das favelas do centro paulistano no governo Maluf. Vasculhando as memórias de Dover, também acompanhamos episódios tristes e muito dolorosos da trajetória do Brasil, como a tragédia do Gran Circus Norte-Americano, ocorrida em 1961 em Niterói (RJ), onde um incêndio criminoso ceifou a vida de 503 pessoas, deixando mais de 800 vítimas feridas e também a ditadura militar (1964-1985) que, mesmo não sendo fortemente retratada no livro, corrompeu muitas vidas e devastou inúmeras famílias, inclusive a vida do próprio artista em questão. A capa do livro é simples e nos traz uma fotografia de Dover Tangará em matizes avermelhadas e a diagramação está ótima, com fonte em bom tamanho e revisão de qualidade. Recomendo.

    7 curtidas

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    4.2 / 6
    • 5 estrelas17%
    • 4 estrelas83%
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    • 1 estrelas0%
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    Eduardo Rascov

    Eduardo Rascov escreve ficção, principalmente romances e contos. Formou-se em Filosofia, Jornalismo e estudou Letras. Sua prosa tenta integrar essa formação e esses discursos sobre o mundo à sua experiência de vida e memórias. Trabalhou como repórter nas revistas Veja SP, Manchete, Contigo e Amiga. Colaborou para as publicações: revista Brasileiros, jornais Folha de S. Paulo e O Estado de São Paulo, entre outros. Escreveu o livro institucional para a AACD, "Vida é Movimento". Editou o site da Fundação Memorial da América Latina e atualmente é o editor da revista Nossa América e dos livros digitais do Centro Brasileiro de Estudos da América Latina (CBEAL), deste Memorial. Ao publicar o romance "O Filósofo Voador", mergulhou no universo circense e nunca mais emergiu.

    1 Livro
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    São Paulo, Brasil

    Eduardo Rascov