"The Man Who Folded Himself" apresenta um conceito de viagem no tempo muito interessante, no qual as alterações feitas no passado criam múltiplos universos. É muito difícil contruir uma história desse tipo sem recair em paradoxos. Assim, em lugar de resolvê-los, o autor abraça a fragmentação que os paradoxos acarretam, e o mundo narrativo parece sempre à beira do esfacelamento por contradição.
Como sugere o título ("O Homem que Dobrou a si Mesmo" tradução minha), o protagonista Dany encontra no decorrer da história um número extraordinário de versões de si mesmo. Ele desenvolve com esses outros uma relação de grande afeto e erotismo, com todas as esquisitas implicações psicológicas inerentes. A lógica que regula esses encontros é apenas parcialmente descrita, uma vez que nem mesmo os personagens são capazes de compreendê-la por completo. Sem querer estragar a leitura com maiores spoilers, resta dizer que o autor elabora uma trama complexa com maestria e especial atenção para a vida psicológica de um personagem que se vê cada vez mais enredado num labirinto de si mesmo.