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    Projeto de uma psicologia -

    Sigmund Freud

    Imago
    1995
    229 páginas
    7h 38m
    ISBN-10: 8531204748
    Português Brasileiro
    3.4
    8 avaliações
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    A proposta de Freud de deduzir uma psicologia científica e naturalista segundo um mínimo de pressupostos, pode ser referido a inúmeras fontes. Apesar de o ensaio ter sido iniciado numa viagem de trem, ele de nenhum modo é um texto de ocasião. Na verdade reflete as tentativas de Freud para fundamentar uma clínica baseada na palavra e é extremamente útil para quem deseja conhecer como se originou a psicanálise. Tampouco foi abandonado ou esquecido por seu autor. Sua temática e varias de suas soluções reaparecem modificadas no capítulo VII da Interpretação dos Sonhos, podendo ser acompanhadas, em detalhe e passo a passo, graças à correspondência trocada entre Freud e Fliess. Entwurf foi descoberto como parte das cartas de Freud a Fliess, pela Princesa Marie Bonaparte em um leilão. A reação de Freud de pedir a destruição da correspondência, aliás antecipada pela viúva de Fliess, deveu-se a razões pessoais, pois elas contêm varias passagens sobre sua vida íntima. Procuramos no presente ensaio, mostrar como Freud tomaria emprestado de Mill um tipo de análise psicológica. Junto com análise psicológica, ele pressupõe que leis de associação estejam na base dos fenômenos estudados. As leis do mesmo modo que a etologia de Mill ? uma teoria sobre o desenvolvimento do eu, pensado como objeto natural - , são fundamentais para deduzir uma teoria sobre o aparelho psíquico. Assim, a construção de uma psicologia natural em Entwurf está baseada em leis de associação e na crença de que o ser humano busca o prazer e os objetos aprazíveis e afasta-se da dor e dos objetos que a causam. Entwurf descreve a formação do eu pela experiência, visando tornar inteligível o aparecimento de processos primários no interior desse eu, uma vez que tais processos seriam responsáveis pelos sintomas neuróticos. Defendemos em primeiro lugar, que a maneira adotada por Freud, a dedução de uma psicologia quantitativa baseada em poucos postulados e em leis psicológicas de associação segue o programa de investigação de Mill para a psicologia empírica exposto em System of Logic. Em segundo lugar, que o papel conferido por Freud à linguagem denotar, torna-se inteligível quando se reconhece débito para com Mill e por fim, que a análise psicológica esboçada por Freud segue a análise tal como ela foi formulada por Mill. Na parte II de Entwurf, Freud recorre a análise psicológica na investigação de um caso de fobia histérica. Sua utilização revela quais são os elementos mínimos relevantes para descrever os antecedentes presentes na formação dos sintomas. Assim, ele argumenta que todos os processos psíquicos normais são realizações de desejo, enquanto os processos patológicos decorrem da sexualidade, da defasagem temporal entre sensação sexual e idéia sexual, resultando na incapacidade da histérica de denotar o afeto sexual.

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    Carlos Lyra picture
    Carlos Lyra10/04/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O `Projeto' freudiano

    Em 1895, Freud escreve sua "Psicologia para neurologistas" - texto mais conhecido como "Projeto para uma Psicologia Científica", e que seria publicado postumamente, em 1950. Nessa obra, declara sua intenção de construir uma teoria psicológica fundamentada nas ciências naturais (Freud, 1950/1990). Toda a sua argumentação toma como ponto de partida dois conceitos: 1) o de uma quantidade (Q) em movimento; e 2) o de neurônios como partículas materiais. Não obstante, no Projeto, Freud utiliza um vocabulário neurológico para falar de noções psicológicas. Embora partisse de suas observações clínicas acerca das psicopatologias de sua época para formular suas teorias, não podemos descartar o fato de que Freud era neurologista e, tendo sido por alguns anos pesquisador nessa área, conhecia muito bem o funcionamento do sistema nervoso, de tal maneira que esses conhecimentos devem ter contribuído para um entendimento mais apurado das relações entre os conceitos que formulou. LYRA, Carlos Eduardo de Sousa. O inconsciente e a consciência: da psicanálise à neurociência. Psicol. USP [online]. 2007, vol.18, n.3 [citado  2020-04-10], pp. 55-73 . Disponível em: . ISSN 1678-5177.

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    Sigmund Freud

    Freud foi o fundador da psicanálise. Iniciou seus estudos pela utilização da hipnose como método de tratamento para pacientes com histeria. Ao observar a melhoria de pacientes de Charcot, elaborou a hipótese de que a causa da doença era psicológica, não orgânica. Essa hipótese serviu de base para seus outros conceitos, como o do inconsciente. Freud também é conhecido por suas teorias dos mecanismos de defesa, repressão psicológica e por criar a utilização clínica da psicanálise como tratamento da psicopatologia, através do diálogo entre o paciente e o psicanalista. Acreditava que o desejo sexual era a energia motivacional primária da vida humana, assim como suas técnicas terapêuticas. Ele abandonou o uso de hipnose em paciente com histeria, em favor da interpretação de sonhos e da livre associação, como fontes dos desejos do inconsciente. Freud, suas teorias e seu tratamento com seus pacientes foram controversos na Viena do século XIX, e continuam a ser muito debatidos hoje. Suas idéias são freqüentemente discutidas e analisadas como obras de literatura e cultura geral em adição ao contínuo debate ao redor delas no uso como tratamento científico e médico.

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    Morávia, Áustria (Império Austríaco)

    Sigmund Freud