No futuro, a humanidade colonizou o sistema solar.
Nesse novo mundo, sobrevivendo a tudo e a todos, existe Duncan Chalk que vive e suga as dores e emoções das pessoas, vampirizando esses sentimentos.
Com seu volumoso corpo e posição de prestígio como magnata da mídia, dono de empresas como Arcada e Luna Tivoli, necessita dessa alimentação empática e está sempre à procura de novidades para apresentar ao público em seus programas de entretenimento.
Em sua busca, conhece Minner Burris, viajante espacial cujo corpo foi submetido a uma experiência cirúrgica alienígena, tendo todos os seus membros recolocados de outra forma. Sofre, em razão disso, dores constantes e insuportáveis.
De outro lado, existe Lona Kelvin, a jovem virgem usada como cobaia por cientistas, doadora dos óvulos que vieram a gerar uma centena de crianças, e que logo após foi descartada, sem piedade.
Chalk é persuasivo ao explorar os desejos e necessidades de ambos e, enfatizando seu caráter “humanitário”, promete uma forma humana sintética a Burris pelo direito de transmissão e exploração comercial de toda a história do homem-estrela. E quanto a Lona a possibilidade de ter para si um par de bebês dos óvulos que doou, precisando, somente, que ela se submeta ao encontro e intimidade do solitário homem alterado pelos seres de Manipool.
A partir daí já dá para se ter uma idéia do desenvolvimento da trama. Sofisticada, há uma construção bem bacana a demonstrar essa sociedade futurista e os personagens são interessantes, inclusive os secundários. Claro, há um romance em desenvolvimento, mas tudo bem peculiar e agradável, como costuma ser a leitura de tudo que Silverberg tem escrito.
Recomendo!
“– O espinho é apenas uma forma altamente desenvolvida de folha. Uma adaptação a uma ambiente hostil. Os cactos não podem transpirar como as plantas cheias de folhas. Têm que se adaptar. Sinto muito se você ache feia uma adaptação tão elegante.” - p. 86