Alto, lacónico e letal, o cruel pistoleiro conhecido como O Homem Sem Nome foi a primeira grande personagem de Clint Eastwood no CINEMA. Tendo surgido em três 'westerns spaghetti' - Por um punhado de dólares (Per un pugno di dollari, 1964), Por Mais Alguns Dólares (Per qualche dollaro in piú, 1965) e O bom, o mau e o vilão (Il buono, il brutto, il cattivo, 1966) - este anti-herói brutal foi uma imagem representativa construída cuidadosamente por Eastwood e pelo realizador Sérgio Leone. Em primeiro lugar, os seus 1,90m de altura conferiam a Eastwood uma presença imponente; o actor observa que foi comparado a uma pequena árvore. Depois, os olhos semicerrados, o rosto enrugado e o poncho esfarrapado deram-lhe uma expressão de mau, para não falar dos finos cigarros mexicanos que Eastwood detestava fumar e que o deixavam com um estado de espírito amargo. Leone aconselhou o actor, "Só precisas de não fazer nada, basta estares aí", e a imobilidade tensa de Eastwood transmitia a sensação de uma raiva acumulada prestes a explodir da sua Colt .45. Eastwood cortou o seu próprio diálogo para criar uma sensação de ameaça omnipresente - "Ele deixou o ar falar mais alto do que as palavras", afirmou Quincy Jones - e quando falava, Eastwood sibilava as suas ameaças por entre dentes cerrados. Inicialmente, os produtores do filme mostravam-se cépticos. Como conta Eastwood, eles disseram, "Meu Deus, este tipo não faz nada. Não diz nada. Ele nem sequer tem nome! E aquele cigarro para ali a queimar". Mas os espectadores de todo o mundo responderam à potente mística transmitida pela abordagem minimalista de Eastwood em relação à criação da personagem. * Idiomas dos comentários: Espanhol, Italiano e Português de Portugal.
