Os programas dirigidos às faixas “C” e “D” ( Silvio Santos e Chacrinha por exemplo) procuram compensar, no plano simbólico a “exclusão” social total que caracteriza os contigentes que integram a faixa. Oferecem aos “excluídos” do sistema o ingresso vicário ao mercado de consumo e, chamando os telespectadores pelo refrão “minhas colegas de trabalho”, acaba por conceder-lhes recursos para uma identidade social.
No caso dos programas destinados às faixas “A” e “B” que lidam com um público “dependente”, a inversão simbólica vida satisfazer exigências de outra ordem. O problema aqui, não consiste em apaziguar o “excluído”, mas em oferecer só “dependente” a contrafação de códigos (moda,música etc) capaz de dissimular a posição de “dependência”. A existência social destes setores corresponde uma consciência fundada no ideal da imitação ( reproduzir os modelos éticos e de consumo dominante.
In: MICELI, Sérgio. A noite da madrinha. pg 251.