Em “I’ll Be There” o leitor segue a vida conturbada de um jovem chamado Sam e seu irmão menor, Riddle. Ambos foram seqüestrados pelo Pai ainda na infância. Sam é introspectivo, retraído e sofre de uma grave baixa auto-estima. Já Riddle é obviamente uma criança com distúrbios mentais, ele vive dentro de seu próprio mundo, raramente se expressando a não ser nos desenhos que faz compulsivamente. Quando a vida de um rapaz como Sam esbarraria na vida da simples e satisfeita Emily? Nunca, talvez. Só que Sam possui um segredo, ele gosta de tocar guitarra escondido na floresta, são os momentos de felicidade em sua vida miserável. E é em busca de música que o garoto vai à igreja. Não porque acredita em Deus, mas porque acredita na música. E é assim que ele conhece Emily. Filha do Diretor do coral, a menina é praticamente obrigada a cantar a música “I’ll Be There”. Ao ouvir Emily cantar, Sam tem uma certeza, ela está cantando para ele e dizendo: “Eu estarei contigo”. Nesse momento, Sam e Emily criam uma conexão. Suas vidas estão interligadas para sempre.
I’ll be there é o título de uma canção dos Jackson Five, se você nunca ouviu na versão original ou na gravada pela cantora Mariah Carey, você não está vivendo neste planeta. Quando li o título desse livro em uma de minhas navegações pelo site da Amazon (o que faço bastante) foi justamente a canção que veio à minha mente. Na verdade, por motivos diferentes esse livro me chamou a atenção. Primeiro pelo título, segundo pela capa, que é inegavelmente linda e obviamente, a sinopse.
O que eu esperava quando fechei a compra? Um livro de romance e drama, semelhante a “Um Amor para Recordar”, um garoto que precisa de salvação e uma garota pronta para salvá-lo. Parece a mesma fórmula, não? Eu estava completamente enganada, a narrativa de Sloan é especial, a prosa possui um “Q” de poesia, como se o leitor estivesse acompanhando um poema a cada parágrafo. Talvez a técnica aplicada pela autora não vá funcionar para todos, pessoalmente achei brilhante.
Sam é o tipo de personagem que segura nas mãos às emoções do leitor, é impossível não se encantar e enternecer com a perspectiva que o adolescente tem da vida. Sobretudo porque aquela é a única vida que ele conheceu. Em alguns momentos eu me enfureci com o personagem, esperando que ele tomasse uma atitude contra o pai, se livrasse de sua própria passividade. Contudo, ao analisar a situação em que Sam foi criado, como ele poderia ter qualquer senso de independência? Ele e Riddle são, antes de qualquer coisa, reféns de um homem esquizofrênico e cruel.
O livro não é apenas uma história de amor e sim de superação. Eu diria que o romance é completamente secundário na obra de Holly Sloan. Contudo é uma história de amor, de muitas formas diferentes e uma lição de que o amor às vezes, pode vir de lugares completamente inesperados. Como o afeto dos Pais de Emily por Sam e principalmente pelo pequeno Riddle. Que, diga-se de passagem, é um dos grandes protagonistas do livro.
I’ll Be There fala sobre a vida, sobre como ela pode ser penosa para alguns, entretanto ensina que estar vivo é uma possibilidade. Respirar e sentir, viver é a grande possibilidade, a chance de mudar, de transformar uma situação. E compreender que precisamos uns dos outros, sempre. Comovente, poético e com um enredo singular, “I’ll Be There” e sucesso garantido, principalmente com leitores mais sensíveis.