Desculpa sociedade, mas reler O Beijo da Meia-Noite me faz desfrutar uma nostalgia das fortes. Lembram lá em 2009/2010 quando os romances-hot-com-vampiros marcaram suas posições nas prateleiras? Eu lembro direitinho, principalmente porque nem sabia que existiam! IAN poderia muito bem ser uma boyband da vida ou alguém escrevendo o nome de algum moço com a caps lock ativada.
Porém, como na época eu trabalhava toda serelepe e contente numa livraria gigante ficou difícil ignorar o número absurdamente grande de mães que se livravam dos filhos e maridos e vinham me pedir, sussurrando com o canto da boca pra ninguém perceber, aqueles livros de vampiro.
A atendente lenta demorou certo tempo para pescar que aqueles livros de vampiro não tinham praticamente nada a ver com Crepúsculo e seus afiliados. Depois de alguns episódios tragicômicos, situações epicamente constrangedoras e filhos e maridos danificados no processo, cedi à curiosidade e fui fuçar os livros daqueles vampiros.
Sendo bem sincera, e contradizendo os rumores da oposição, nunca li um romance de banca. Mesmo assim decidi acreditar em leitoras assíduas que me disseram que livros como IAN e Midnight Breed são muito semelhantes (à sua forma) às estórias da Sabrina, Bianca e companhia. Dizendo mais (e sem ninguém pedir) acho indigno o preconceito com esses livros quaisquer que sejam os motivos. Se quiserem, ainda posso começar uma dissertação a respeito do por que dos romances de banca serem tão culturalmente discriminados pelas pessoas que não são do meio, indo do patriarcalismo ao feminismo! Querem?! Querem?!
Achei que não, mesmo.
Ok, a resenha!
Tivemos o’ Beijo da Meia-Noite de antes da metade do livro e o’ Beijo da Meia-Noite de depois da metade do livro. Por quê? Porque a Gabrielle foi uma mocinha muito difícil para mim e quase fez com que eu desistisse. Não que Lucan colaborasse com a pessoa, mas já vamos chegar lá! O que quero dizer é que Gabby não é muito boa da cabeça.
Sério.
Na primeira parte do livro, a mulher parecia ter três estágios!
Ou ela estava suspeitando do mundo.
Ou ela estava sono(lenta).
Ou ela estava taradona.
Gab, por favor!
É como se ela não assimilasse direito o mundo a sua volta, ou estivesse ‘a passeio’ demais para o meu gosto. Entendo que esse talvez seja um traço da personalidade da personagem, mas é o tipo de comportamento que me cansa tanto na vida real quanto num livro e ter Lucan, moção (mocinho não faz jus) ótimo, colaborando para as confusões mentais dela resultou numa receita perigosa para mim, leitora.
Porém, nada como uma página após a outra.
Do meio para frente a relação Gabrielle-Mundo dos Vampiros melhora muito (ou não, depende do ponto de vista) e as coisas ficam menos confusas, menos vagas. É como se finalmente entrássemos na estória.
O equilíbrio de cenas de ação e sequências hot é surpreendentemente bom, principalmente para uma pessoa que achava que livros assim seriam SEXO, SEXO-SEXO-SEXO, SEXO SELVAGEM & SEXO! Enfim, só para deixar claro, eu gosto de ação, aventura e sangue.
Lucan constantemente me fazia lembrar de dois personagens distintos: Maddox, da série Senhores do Mundo Subterrâneo, e Edward. Sim, Edward!
A coisa te-quiero-mucho-mas-provavelmente-vou-acabar-te-matando sempre me lembrará o vampiro disco globe e, nesse livro, a lembrança foi até fofa. Talvez tenha a ver com a preocupação vir de uma parede de músculos insanamente bem definidos com dois metros de altura. Talvez.
A consideração final: foi bom eu sair da minha zona de conforto, os YAs e Históricos. Consegui aproveitar a leitura fácil de O Beijo da Meia-Noite e pretendo reencontrar a Raça muito em breve com O Beijo Escarlate!
P.S.: Numa rápida pesquisa descobri que essa série estava sendo previamente editada aqui no Brasil através da Nova Cultural, em formato adivinhem-de-que?? Romance de banca! Viram como tenho fontes confiáveis?
Para essa e outras resenhas na íntegra, acesse:
www.desigusson.wordpress.com