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    Um dia de chuva -

    Eça de Queiroz

    Cosac Naify
    2011
    56 páginas
    1h 52m
    ISBN-13: 9788575039076
    Português Brasileiro
    3.6
    116 avaliações
    Leram187Lendo5Querem144Relendo0Abandonos2Resenhas8
    Favoritos3Desejados144Avaliaram116

    Conto primoroso (e pouco conhecido) do escritor português Eça de Queiroz, pela primeira vez publicado em livro, em edição independente. Um dia de chuva é uma pequena obra-prima na opinião do crítico Antonio Candido. Escrito perto de sua morte, o autor deixou o texto por terminar, e este aspecto de inacabado é um traço de modernidade que só faz enriquecer a leitura. Na história, José Ernesto, um solteirão que mora em Lisboa, vai até uma cidade do Norte de Portugal com o intuito de comprar uma quinta, para fugir da cidade grande. Ao chegar, sucedem-se vários dias de chuva incessante, em que o protagonista conversa com o padre e com o caseiro. A chuva permeia o conto e define seus limites, criando uma espécie de cortina através da qual enxergamos, junto com José Ernesto, a casa com seus cômodos, corredores e memórias da família que ali habitava. As ilustrações de Guazzelli, nas cores azul e marrom, fazem uma referência à azulejaria portuguesa e acentuam a chuva, criando a atmosfera romântica que se forma, gradativamente, entre José Ernesto e a filha do proprietário. Um dia de chuva se junta a outras obras de escritores clássicos que a Cosac Naify publica em edições ilustradas: A Árvore dos Desejos, de William Faulkner, Pawana de J. M. G. Le Clézio (ambos também ilustrados por Guazzelli) e A janela de esquina do meu primo, de E. T. A. Hoffmann, com ilustrações de Daniel Bueno.

    Resenhas (8)Ver mais
    Evelyn Ruani picture
    Evelyn Ruani15/06/2020Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    Esse conto foi lançado após a morte do autor e publicado pela Cosac Naify numa edição muito bonita em capa dura e repleta de ilustrações lindíssimas do artista Eloar Guazzelli. Tem apenas 56 páginas e achei que pudesse, quem sabe, me fazer mudar um pouco minha ideia sobre o extremamente descritivo Eça de Queiroz, mas não foi dessa vez... Nem a edição linda, nem as ilustrações maravilhosas conseguiram me salvar do tédio que é a narrativa de Eça. Eu tenho plena consciência da importância dele pra literatura e tudo mais, mas para o meu paladar literário, ele não desce! Como está descrito na própria quarta capa do livro, o enredo é simples, fino e leve. É como diz o título, a descrição de um dia de chuva, bastante chuva, dia escuro e barulhento e desta feita tenho que admirar a habilidade narrativa, pois mesmo estando sol quando li, senti como se estivesse chovendo. A história gira em torno de José Ernesto, um solteirão que decide comprar uma quinta para fugir do barulho da cidade e viver na paz do campo. Quando chega ao local para conhecê-lo, sucedem-se vários dias de chuva impossibilitando a visita. Nestes dias, Ernesto conversa com o padre da paróquia local e através desta conversa conhece D. Joana, filha do proprietário da quinta e por quem se apaixona antes mesmo de conhecê-la. O conto foi deixado inacabado por Eça, e em vários momentos da leitura há notas da editora quanto a páginas perdidas, o que poderia dar a impressão de um certo ar misterioso e interessante na narrativa, mas para mim não aconteceu. Tédio, é a palavra central dessa história. E eu quase, QUASE não consegui terminar, mas me recusei a abandonar mais um livro do autor... (sim, abandonei Primo Basílio, e só Deus sabe a que custo levei Relíquia até a última página). Afora talvez um pré-conceito meu, já criado por leituras anteriores, e que me recuso a deixar me vencer e fazer com que nunca mais tente nada desse autor, há um ponto super positivo na leitura, motivo pelo qual consegui dar 2 estrelas e meia... Dona Joana, a personagem por quem Ernesto se apaixona me parece uma mulher a frente de seu tempo, com "ideias singulares", se interessa por política e prefere a inteligência ao status. Além disso, é leitora. Aos que gostam da narrativa de Eça, é um conto que não podem deixar de conhecer. Aqueles como eu, tentem outra obra, como assim o farei! rsrs

    6 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.6 / 116
    • 5 estrelas20%
    • 4 estrelas28%
    • 3 estrelas41%
    • 2 estrelas9%
    • 1 estrelas2%
    José Maria de Eça de Queiroz profile picture

    José Maria de Eça de Queiroz

    José Maria de Eça de Queiroz nasceu em Póvoa do Varzim, norte de Portugal, de pais que não eram casados – só o fariam quatro anos depois. Essa situação, escandalosa para a época, talvez tenha contribuído para a visão profundamente crítica à moral da classe média portuguesa que o escritor imprimiu à sua obra. Eça ingressou aos 16 anos na Universidade de Coimbra, de onde saiu formado em Direito. Nesse período reuniu-se a outros jovens literatos, como Antero de Quental, que formaram o grupo conhecido como a Geração 70. Mudou-se para Lisboa, seguindo uma carreira de jornalista que continuaria em Évora e em sua volta para a capital. Em folhetins e na poesia, havia até então sido um adepto do Romantismo. Contudo, na volta a Lisboa, tomou parte no grupo de intelectuais conhecido como <i>O Cenáculo</i>. Sob a influência do escritor Gustave Flaubert e do teórico anarquista Pierre-Joseph Proudhon, aderiu ao Realismo. Em 1870, publicou, em parceria com Ramalho Ortigão, o romance <i>O mistério da estrada de Sintra</i>. No mesmo ano ingressou na carreira diplomática e, dois anos depois, assumiu o posto de cônsul em Havana – seguida por cidades europeias. Em 1895, sob a influência do Naturalismo, publicou o romance <i>O crime do padre Amaro</i>, que provocou protestos da Igreja e de setores da sociedade. Três anos depois, <i>O primo Basílio</i> teve recepção semelhante, apesar do sucesso de vendas. Em 1888 saiu <i>Os Maias</i>, romance considerado sua obra-prima. Parte da extensa obra do escritor, como o romance <i>A cidade e as serras</i>, veio à luz postumamente. Eça, que deixou quatro filhos, morreu em Paris, de tuberculose.

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    José Maria de Eça de Queiroz