Embora a leitura possa ser, por vezes, entediante para quem não se interessa em descrições médicas sobre o aborto, o romance no geral é agradável, mas não chega a ser um vira-páginas, daqueles que te deixam sem dormir ou que dão um jeito de se imiscuir em seus sonhos.
Trechos repetitivos ajudam a atravancar a narrativa, que, por si só, não chama a atenção do leitor que não se interesse por algum dos temas abordados pelo livro.
No entanto, em comparação com o filme, o livro é muito mais complexo. Vários temas foram suprimidos do filme, tais como o amor e as aventuras de Malony pelo protagonista, a terrível morte da terceira família que pretendia adotar Homer, a descrição da lenta decadência do Sr. Worthington por causa do mal de Alzheimer (um dos melhores e mais tocantes aspectos do livro), o personagem Wally praticamente se torna um figurante no filme, com toda a sua trajetória apresentada em poucas cenas, a tensão racial que poderia ter injetado uma dose de ânimo no filme, que, no final das contas, acaba por passar a terrível impressão de ser um mero resumo do livro.
Certa vez, li em algum lugar que o fato de o livro parecer sempre ser melhor do que o filme é que são duas linguagens diferentes e que se torna impossível transcrever o todo de um livro a um filme. Concordo, mas acrescento: na dúvida, vá de livro...