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    As horas de Zenão das Chagas -

    Harry Laus

    Mercado Aberto
    1987
    40 páginas
    1h 20m
    ISBN-10: 8528000079
    Português Brasileiro
    5
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    Evandro Duarte01/06/2018Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Duas novelas de Harry Laus

    Quando um santo mágico aparece na praia ou quando um típico funcionário procura a verdade em relógios idênticos, Harry Laus (1922-1992) nos faz lembrar que há um sentimento de ausência que permeia todas as histórias humanas. Como o autor escreveu no dia 1 de Fevereiro de 1952 em suas Impressões de Vida (Bernúncia, 1998), “creio que chegará um ponto em que, à força de iludir e me iludir, não mais saberei quando estou sendo sincero”. Em suas novelas essa impressão aparenta ser ainda maior tanto pelo desenvolvimento das personagens quanto pela condensação do espaço-tempo. As obras O Santo Mágico e As Horas de Zenão das Chagas, novelas cujas edições publicadas na década de 1980 serviram para a realização deste texto, não apenas exemplificam esses argumentos como também elevam à máxima potência um gênero literário que fica na crítica fronteira entre a primazia do romance e o caráter conciso do conto. À literatura, convenhamos, não apetece o título de ciência exata. Em sua incursão novelística quando o autor estava em Porto Belo, Harry Laus colocou personagens e lugares com esmerada descrição para contar o curioso caso de uma aparição na praia da cidade conhecida como O Santo Mágico (Edição do Autor, 1982). Já de início somos apresentados às personagens cujo destino em comum possui ligação com o misterioso clarão azulado que parece ter uma auréola sobre si. A fé talvez seja o questionamento central daquelas figuras literárias, como o pescador Luca (o primeiro a ver o fenômeno), o padre Anatole que se veste de maneira muito peculiar quando se encontra sozinho e o jovem Altair que encontrou a felicidade em Porto Belo junto a mulher e ao filho. E todos acabam por questionar suas próprias verdades mesmo que não se dêem conta disso. Publicada originalmente em 1957 no suplemento dominical do Jornal do Brasil, As Horas de Zenão das Chagas (Mercado Aberto, 1987), delimita a narrativa num espaço urbano, ainda que sua paisagem seja retratada sutilmente, mantendo essa insatisfação de uma vida semi-completa, tema tão caro aos mestres da escrita; do amor não-correspondido de Dante em Vida Nova às negativas finais da personagem-título de Machado de Assis em Memórias Póstumas de Brás Cubas. O desprendimento da realidade de Zenão é algo tão natural quanto os seus entediantes dias: “O desleixo em que mantém o quarto talvez resulte de certo comodismo que, de forma precária, substitui o conforto que não pode desfrutar”. A história de Zenão situa-se numa região indefinida entre a parábola do cotidiano e a própria vida ordinária com a qual a maioria dos mortais se relaciona sem se dar conta. A personagem traz a inconformidade já em seu nome: O “Zé” que “não” é, ou mesmo aquele que não passa nem mesmo por homem comum. Não obstante, ainda há o sobrenome cujos sinônimos denotam extremo dissabor. Temos, pois, histórias talhadas em madeira de lei, ainda que com estilos diferentes que as naturezas dos enredos acabam por exigir. O Santo Mágico é uma história que se abre, larva que aos poucos se transforma em borboleta. Já As Horas de Zenão das Chagas é quase como um elevador que se fecha ante os olhares claustrofóbicos do leitor; uma história sobre o tempo passada em época indefinida. Borboleta ou elevador, as novelas de Laus irrefreavelmente sobem, com destino certo às alturas dos melhores prosadores brasileiros.

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    Harry Laus

    Harry Laus Seguiu a carreira militar, aposetando-se em 1964. Foi renomado crítico de Artes, conhecido no Brasil inteiro por sua intensa atividade jornalística que se estendeu por trinta anos. E também foi escritor, atividade que, somada à de leitor, constituiu a verdadeira paixão de sua vida. Publicou muitas novelas e contos na França, inclusive Les Jardins du Colonel, traduzido no Brasil como Os Papéis do Coronel. Para a tradutora francesa, Harry Laus atinge a emoção sem desperdícios, através de intenso trabalho. Era um escritor muito meticuloso, consciente e refletido. Escrever era um trabalho ao qual ele se atirava com sua habitual seriedade e um frenético desejo de atingir "o resultado, o sumo, a essência", nas palavras do Coronel desse romance. Aliás, único romance de Harry Laus. Em Os Papéis do Coronel, o texto coloca seriamente a questão do escrever, deixando-nos o testemunho do processo literário de Harry Laus, suas angústias, questionamentos e seu caminho interior. Harry Laus nasceu em 1922, em Tijucas, e morreu em Florianópolis em 1992. Obras Publicadas: Os Incoerentes, Ao Juiz dos Ausentes, Monólogo de uma Cachorra sem preconceitos, As Horas de Zenão das Chagas, Sentinela do Nada e outros.

    15 Livros
    0 Seguidor
    Santa Catarina, Brasil

    Harry Laus