Enquanto Arminda se debatia num inferno de dores em que julgou que ia morrer com a criança dentro, ela convalescia no seu quarto de hospital tendo sobre a mesa de cabeceira uma bênção papal que uma das amigas mais chegadas lhe mandara de Roma, em que Ele pedia a Deus por Isabel, Sua Filha Dilecta. Este documento, encaixilhado entre duas placas de vidro com flores do Calvário, havia de a acompanhar toda a vida e foi o viático que a susteve para conseguir sobreviver à derrocada e reforçar o mito da mulher implacável, dura e límpida como o diamante. Arminda teve um parto atroz, recebeu a extrema-unção, mas lentamente começou a recompor-se logo que lhe puseram nos braços a criaça que parecia vazia de tão engelhada. À mesma hora Isabel Montalvão deixava o hospital de maca, distribuindo pelo pessoal sorrisos cansados, o que sempre era melhor do que dar gorjetas.

