O livro conta a história de Wren, uma menina que tem poderes estranhos assim como todas as mulheres de sua família. Porém, ela não sabe exatamente o que é esse poder, nem como controlá-lo. Após a morte de sua avó e de seu pai ir embora, a mãe de Wren se recusasa a falar sobre os poderes da família, deixando Wren e sua irmã, Robin, completamente perdidas e desnorteadas.
Já começamos o livro no meio dos acontecimentos, uma coisa que ainda não decidi se gosto muito, mas que pelo menos não transforma a sinopse em um spoiler gigante. Danny já está morto, ressucitado e escondido há 4 meses, e Wren nos conta em retrospectiva o que levou à toda aquela bagunça enquanto ela tenta resolver o problema.
Todo mundo com o mínimo de experiência literária/cinematográfica sabe que trazer alguém morto de volta nunca resulta em boa coisa. Uma das coisas que achei bacana no livro é o fato de ninguém ficar jogando isso na cara da Wren o tempo todo, apesar dela mesma esperar por isso. No fundo todos os personagens deviam estar pensando nisso, mas pelo menos ninguém foi hipócrita de ficar agindo como se tal pensamento jamais fosse passar pela sua cabeça.
"Não é nada estúpido. (...) A maioria das pessoas iria querer exatamente o que você quis nessa situação, e a maioria das pessoas não entenderia que nunca iria funcionar também. É só que a maioria de nós não pode fazer o que você pode."
Wren foi uma boa personagem, apesar de ficar perdida em boa parte da trama. E, ao contrário do que se pode imaginar, o fato dela se sentir perdida só serviu para fazê-la ainda mais real. Imagine não ter ninguém para te explicar nada enquanto seu namorado morto surta por...bem, estar morto. De fato, uma qualidade marcante em todos os personagens do livro foi essa: realista.
A escrita é fácil e flúida, com um conhecimento básico de inglês e vocabulário você já pode levar o livro numa boa. A leitura realmente não tem nada de muito elaborado, é uma história simples e gostosa de ler, o que dá prazer de continuar lendo até o final sem largar. Os capítulos curtos também ajudam bastante nisso, aquela velha história de "só mais um capítulo" e você acaba lendo uns 5 antes que perceba.
O legal é que não vi um livro cheio de clichês, fora a parte do cara maravilhoso e diferente que entende a garota por esse e aquele motivo. E, realmente, Gabriel é encantador e nem um pouco forçado -sem contar o fato que eu adoro esse nome. Mas no geral, Cold Kiss foi um livro morno. Foi bom, e até envolvente, mas faltou aquele algo mais. A minha dica é ler de forma despretensiosa, porque é isso que o livro é.
A continuação, Glass Heart, está prevista para Setembro desse ano e também tem uma capa linda. Agora é esperar mais explicações para os mistérios envolvendo os poderes da família de Wren, e quem sabe um pouquinho mais de ação na trama.