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    Dom Quixote de la Mancha (Série Clássica de Cultura) - Primeira Parte: Volume I

    Miguel de Cervantes

    Edições Cultura Brasileira
    1942
    586 páginas
    19h 32m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4
    22440 avaliações
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    A primeira edição brasileira do Quixote saiu a prelo pela Edições Cultura de São Paulo — Série Clássica de Cultura — "Os Mestres do Pensamento"; sob a Direção de José Perez, em dois volumes de 1942 e 1943; os primeiros tradutores do Quixote publicados no Brasil — Os Viscondes de Castilho e Azevedo e Manuel Joaquim Pinheiro Chagas. (...) O Quixote pelas Edições Cultura Brasileira com Ilustrações de Tarsila do Amaral e Prefácio de José Pérez (nos dois volumes). Introdução de Luiz Amador Sánchez no Vol. II (614p.). ==== '(...) “Dom Quixote”, grande clássico do autor espanhol Miguel de Cervantes, foi lançado em 1605 (primeiro livro) e 1615 (segundo livro), e teve sete traduções publicadas no Brasil: a 1ª é a tradução dos Viscondes [António Feliciano de Castilho (Visconde de Castilho, 1800 - 1875); Francisco Lopes de Azevedo Velho de Fonseca Barbosa Pinheiro Pereira e Sá Coelho (Visconde de Azevedo, 1809 - 1876)] e de Manuel Pinheiro Chagas —que concluiu os trabalhos de tradução do volume II. (M. Pinheiro Chagas, tradutor de Ponson du Terrail, Alexandre Dumas, Octave Feuillet, Alfred de Vigny e Júlio Verne, dentre outros autores; e cujo nome não aparece nos créditos, no trabalho de revisão da matriz e finalização: Prólogo, introdução, notas e na tradução da Segunda Parte do Quixote). Tradução portuguesa lançada em 1876/1878 (Primeiro e Segundo Livros) e publicada no Brasil em 1898. E, pela primeira vez no século XX, em 1942/43 — via Edições Cultura Brasileira do jornalista e romancista Galeão Coutinho. É a tradução com maior número de edições no país. . . ==== '(...) Os primeiros tradutores do Quixote publicados no Brasil: Viscondes de Castilho e Azevedo e M. Pinheiro Chagas: o primeiro tradutor, Visconde de Castilho, nasceu em Lisboa. Tornou-se cego aos seis anos, mas isso não o impediu de ser escritor e profícuo tradutor, traduzindo obras do latim, francês e inglês. Sua colaboração na tradução do Quixote se resumiu ao início do romance, pois o visconde faleceu ao curso da tradução. O segundo tradutor, Visconde de Azevedo, foi um homem com intervenção ativa no seu tempo. Participou, ainda jovem, nas lutas liberais, ao lado dos realistas. Foi, sobretudo, um sábio bibliófilo. Sua livraria era bastante conhecida. Foi sócio correspondente da Academia de Ciências de Lisboa e colaborador do "Dicionário Bibliográfico Português" de Inocêncio Francisco da Silva & Brito Aranha. Esse intelectual foi convidado a dar continuidade à tarefa de traduzir o Quixote. Já idoso, estava com sessenta e seis anos de idade, prosseguiu a tradução, mas só concluiu o primeiro livro. Pinheiro Chagas, que apesar de não aparecer nos créditos das edições como um dos tradutores dessa obra, além de ter prosseguido à tradução do segundo livro do Quixote, fez um importante prefácio para a obra, porém não consta em qualquer edição brasileira. Além de tradutor, foi um prolífico escritor, jornalista e político português. Teve destaque em sua atuação como romancista, historiador, dramaturgo e como diretor de vários periódicos de Lisboa. [O Quixote pelas Edições Cultura] A pequena Edições Cultura Brasileira, propriedade do escritor Galeão Coutinho, era, primordialmente, uma editora de literatura, ainda que tivesse também uma linha importante de clássicos da filosofia (HALLEWELL, Laurence. O Livro no Brasil: sua história. São Paulo: EDUSP, 2012, p. 505). Foi a primeira editora brasileira a publicar uma edição traduzida do Quixote. Na edição de 1942, podemos observar os seguintes para-textos: uma capa em brochura em que há somente o sobrenome do autor, Cervantes, e o título reduzido da obra, Quixote, revelando que a editora reconhecia que se tratava de uma obra já apreciada pelo grande público." "(...) Introdução de Luiz Amador Sánchez — intitulada "Evocando Don Quijote" —, na segunda parte do Quixote pelas Edições Cultura; observamos que as informações da folha de rosto se repetem nos dois volumes. Luiz Amador Sánchez foi um ex-diplomata espanhol e professor da USP". '(...) O prefaciador afirma que um expatriado faz diversas evocações de sua terra, nesse caso, da Espanha. Louva o país que o acolheu, o Brasil. Passa a relatar, então, como, ao passear pelas ruas de São Paulo, se depara com uma edição brasileira do Quixote. Surpreende-se porque não havia encontrado essa obra no Brasil, enquanto que na Espanha se publicam edições do Quixote a cada seis meses; dos mais diversos tipos, eruditos ou populares. Afirma que está feliz por encontrar uma edição brasileira em São Paulo (...) Começa a narrar um diálogo fictício que teria com dom Quixote na livraria. O personagem o cumprimenta e diz: "-Pues sí, aqui me tienes, en São Paulo y hablando el idioma vernáculo" (SÁNCHEZ, 1943, p. 9). O personagem louva aquela tradução, afirmando que é maravilhosamente traduzida por dois viscondes portugueses, também elogia o responsável por editá-lo, o brasileiro José Pérez, um homem culto, distinto, apaixonado pelas letras espanholas e pelo Quixote. Sánchez felicita o cavaleiro por ser o personagem de uma obra que tem sido traduzida nas diversas nações e que possui tantos admiradores de alta estirpe. Dom Quixote responde que sua maior felicidade é poder viajar por toda a Órbita, ou seja, ser atual, contemporâneo e eterno. Está muito orgulhoso por ter surgido no Brasil, bem traduzido e editado! Despedem-se e o cavaleiro afirma que agora Sánchez já sabe onde é sua nova casa na América: Edições Cultura, traduzido em Língua Portuguesa pelos Viscondes de Azevedo e Castilho e apresentado pelo cervantista José Pérez em dois volumes robustos. Pede, ainda, para que Sánchez reflita melhor a respeito da interpretação que fazem de sua loucura, "al fin de cuentas, quién es el que está más loco: el Mundo o yo, don Quijote?" (SÁNCHEZ, 1943, p. 14). Percebemos que Sánchez, nesse paratexto, louva a tradução dos Viscondes. No prefácio, utiliza a voz fictícia de Dom Quixote ao afirmar estar muito feliz por ter sido traduzido com todas as honras pelos Viscondes de Azevedo e de Castilho. O personagem ainda se alegra por ser apresentado pelo culto e distinto José Pérez. Observamos, assim, que esse diálogo fictício entre Sánchez e Dom Quixote serve para a realização de uma espécie de propaganda da edição. O leitor, ao se deparar com esse paratexto, terá as melhores referências da tradução dos Viscondes, do prefaciador José Pérez, bem como do imortal Quixote. Assim, compreendemos que esse texto poderá influenciar a compreensão do leitor a respeito desses três aspectos: da tradução; do crítico que prefacia a edição; e do próprio texto literário." ==== https://docplayer.com.br/60906884-Paratextos-de-edicoes-brasileiras-do-quixote.html https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8145/tde-02022010-140637/publico/SILVIA_COBELO.pdf https://classicostraduzidos.com/2016/04/25/dom-quixote-de-miguel-de-cervantes-traducoes-comparadas-1a-parte/

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    Resenhas (1561)Ver mais
    Alessandra Rodrigues  picture
    Alessandra Rodrigues 17/06/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Um clássico é um clássico por algum motivo

    Antigamente eu pensava que "Dom Quixote" seria apenas uma sátira às novelas de cavalaria e nada mais, porém descobri nessa leitura elementos que sobressaem em cima disso. É uma constante das narrativas fictícias, ainda que em doses mínimas, desperta em seus leitores reações de surpresas com o desenrolar dos acontecimentos no decorrer da história. Ao moldar a realidade a sua própria maneira de enxergar o mundo, o Cavaleiro da Triste Figura vive um ideal que se distancia da letárgica existência que antes tinha. Cada episódio de sua jornada se torna um acontecimento ímpar na "comparação do seu valoroso ofício", onde tudo pode acontecer sob os argumentos mais absurdos possíveis. Ainda que os méritos dos responsáveis por essa adaptação contemporânea, as narrativas de Dom Quixote surpreendem em natureza e humor tão atuais e familiares. Miguel de Cervantes aos modos de um jornalista, zomba do estereótipo tão popular de homem valente e moral através de uma narração que abrange o delírio narcisista de seu herói e a visão debochada de quem o assiste. Simplesmente não tenho receio de afirmar que o "Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha" é uma obra atemporal que permanecerá sendo lembrada enquanto existir pessoas que prezam uma boa literatura.

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