Em estado de memória -

    Tununa Mercado

    Record
    2011
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-13: 9788501090928
    Português Brasileiro

    A aflição do exílio e a ainda mais dolorosa agonia do retorno. Tununa Mercado, uma das mais importantes escritoras argentinas, com um cobiçado Casa de las Américas no currículo, vivenciou ela própria dois momentos de expatriação: o primeiro, às vésperas da copa de 1966, foi passado na França; o segundo, foi vivido com a família, no México, entre 1974 e 1986. O exílio argentino no México é ponto de partida de Em estado de memória. Tununa descreve o cotidiano de seus companheiros de infortúnio. Outros argentinos presos em uma espécie de suspensão do continuum espaço-tempo. Essa colagem de mementos desfila pelo texto em um tom melancólico. Mas há algo de catártico em se verbalizar até a mais amarga lembrança. Com sensibilidade, ela descreve, em Em estado de memória, as impressões tiradas da experiência. O alheamento que acompanha os exilados, a dificuldade em absorver a cultura local, a relutância em abandonar a própria, escudo contra a saudade e contra a revolta de ter sido desrraizado, retirado do que conhecia e amava. Os momentos de raiva, quando a dor de ter sido expulso gera um controverso desejo de abraçar a nova realidade. Em estado de memória é um romance sobre memórias do exílio e pertencimento patriótico. Sobre a reivindicação do próprio país. Tununa Mercado explora os efeitos físicos e psicológicos de vidas afastadas de forma hostil de sua nação. Uma obra dedicada às consequências emocionais do período da ditadura na Argentina.

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    Gabriel Zupiroli03/09/2025Resenhou um livro
    2.5 (Razoável)

    Nessa proposta de uma narrativa descentralizada, que se dá sensorialmente pelos cantos (numa "tonalidade menor", como diriam alguns), o retrato do sentimento do exílio em contraste com a memória e o retorno que Tununa Mercado propõe se dilui um pouco demais. À exceção do primeiro capítulo e do penúltimo, onde o exercício da narração encontra uma forma mais plena de escoar, parece que sobram muitos retalhos prontos para serem amarrados, mas que justamente por não conseguirem tal feito, soam como fragmentos perdidos em uma suposta poeticidade, esperando alguém para juntá-los de forma adequada.

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