A luz amarela do candeeiro de petróleo espalhava-se sobre o pano que cobria a mesa. A cara dos homens estava na meia sombra, por cima do quebra-luz. Eram quatro à volta da mesa. Estavam calados, com a atenção concentrada nas cartas de jogo que um deles, de costas voltadas para a porta que dava para a estrada, talhava com gestos vagarosos, aparentando serenidade. Mas era tão visível o esforço que fazia para se mostrar sereno que os companheiros trocaram rápidos olhares. Pela janela aberta para a noite que há muito se fechara sobre a vila, entrava de momento o grito de alerta dos sipaios que rondavam o edifício da Administração da Circunscrição e o Paiol, um quilómetro afastado da povoação, à beira da estrada.
Terra Morta -
Castro Soromenho
Campo das Letras
2001
240 páginas
8h 0m
ISBN-10: 9726104378
Português Brasileiro
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