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    Trans -

    Age de Carvalho

    Cosac Naify
    2011
    87 páginas
    2h 54m
    ISBN-13: 9788575037775
    Português Brasileiro
    3.2
    22 avaliações
    Leram32Lendo1Querem11Relendo0Abandonos1Resenhas1
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    ROGÉRIO EDUARDO ALVES ESPECIAL PARA A FOLHA Grande parte da poesia de hoje está marcada por uma dicotomia. De um lado, aqueles autores que procuram apenas expressar sentimentos. De outro, os decididos a fazer da forma do texto seu conteúdo. Não é uma divisão nova. Pelo menos desde a década de 1950, com a poesia concreta, as trincheiras ficaram definidas. Hoje chama a atenção que a combinação dos dois campos tenha se tornado o programa literário de alguns jovens poetas. Sem manifestos, Age de Carvalho transi ta de um lado ao outro fazendo uso do que ambos possuem de melhor. Basta abrir "Trans", seu novo livro, para encontrar palavras que ladrilham o caminho para uma bela força lírica por suas características de som e sentido. A começar pelo título. Em versos precisos, as imagens do poeta abraçam o invisível, dando à palavra a força de capturar o sagrado. São as "palavras-mortalhas" que envolvem um "Ser" que carrega em si o maiúsculo de um Cristo e do poeta. "Tua verdade, tua dúvida / (...)/ é tudo que trazes contigo agora / sob essa palavra-destino / embrulhada em túnica." O sagrado, não necessariamente religioso, é encontrado no cotidiano. Nas pessoas que deixaram sua ausência, na vida registrada em pequenos gestos. Numa série de emaranhados, a profundidade do inaudito mistura-se com o comum numa explosão lírica construída pelas palavras medidas. Age de Carvalho faz da série de poemas uma espécie de álbum de retratos muito pessoal. As sólidas imagens mui tas vezes esculpidas como enigmas esfarelam-se como os acontecimentos biográficos. ESTRUTURA Como cada poema, o livro tem uma estrutura precisa. Começa com uma forte carga do sagrado que se esgarça pelos temas cotidianos, mergulha com a mesma intensidade pela biografia do autor até entregar-se definitivamente ao enigma, representado por Max Martins, poeta-mestre de Age de Carvalho, que, por sua vez, leva ao início da obra. É verdade que nem sempre é interessante considerar a biografia de um poeta para a leitura de seu livro. Mas a história desse autor de Belém do Pará, editor de poesia, que trocou sua terra natal pela Áustria, onde trabalha como artista gráfico, parece estar retratada nesse dinamismo de "Trans". Embora mais acessível que seu livro anterior, "Caveira 41", de 2003, a poesia de Age de Carvalho continua de safiando. Nada é linear. O poeta deixa suas marcas aparentemente sólidas para quem quiser entregar-se à busca do caminho incerto para o Ser, "manga brilhante se ofertando / entre ramas de ouro". ----------------- ROGÉRIO EDUARDO ALVES é coordenador editorial da Fundação Padre Anchieta e doutor em teoria literária e literatura comparada pela USP

    Resenhas (1)Ver mais
    Biblioteca Pública Municipal Álvaro Guerra picture
    Biblioteca Pública Municipal Álvaro Guerra12/12/2023Resenhou um livro
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    Age de Carvalho reúne em Trans 60 poemas inéditos e volta à coleção Ás de Colete. O livro é dedicado a Max Martins, poeta paraense falecido em fevereiro de 2009, "amigo e mestre“ do autor por quase 30 anos. Ao contrário da atmosfera sombria e tensa de seus livros anteriores, segundo o autor, em Trans há “uma tentativa de passagem para o claro, o aberto, o radiante de toda experiência. (...) cidades visitadas, viagens ’através da carne’ (no verso drummoniano), os meninos crescendo, a Belém de-bolso que trago comigo através desses anos de estrangeiro”.

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    Age de Carvalho

    Age de Carvalho nasceu em Belém do Pará, em 1958. Concluiu seus estudos primário e ginasial no Colégio Moderno, em Belém, e se formou em Arquitetura pela Universidade Federal do Pará em 1981. Lançou seu primeiro livro de poemas, Arquitetura dos Ossos, em 1980. Editou a página de poesia Grápho nos jornais paraenses A Província do Pará e O Liberal entre 1983-85, atuando também como tradutor. Passa o ano de 1984 em Innsbruck, Áustria. No final de 1986 retorna à Europa para se fixar em Viena. De 1991 a 2000 vive em Munique, Alemanha, e a partir deste ano muda-se definitivamente para Viena, onde hoje reside. Como designer gráfico atua em várias revistas austríacas e alemãs na função de diretor de arte. Em 2006 é publicada na Alemanha a extensa antologia poética Sangue-Gesang ("Cantos do Sangue") traduzida por Curt Meyer-Clason.

    7 Livros
    7 Seguidores
    Pará, Brasil

    Age de Carvalho