É expresso, num dos textos introdutórios desta edição, que Max Martins teria vaticinado algo como: "No dia em que o ser humano estiver de acordo quanto ao significado de cada palavra, a poesia deixará a sua função de ser".
Assim, ler Max Martins é experimentar cada singificado que ele dá as palavras e suas junções - um, dois, três sentidos. Sua arte é a do ourives, mas não o que busca significado, mas sim o que quer multissignificar. Seus poemas quase formam figuras na páginas, e a poesia parece vir de uma fonte que está perto do coração (e não só da pélvis, pois seus poemas não se limitam ao Eros).
Depois de ler essa curta coletânea, é de se admirar como não se trata de um poeta nacional e amplamente conhecido, acredito que por estar fora dos grandes centros brasileiros da época e não cantar somente a Amazônia. Ser total.
E e fácil nos depararmos consigo mesmos recitando "Meu nome é um rio / Meu nome é um rio que perdeu seu nome / Um rio / Nem sim / Nem não/ Nenhum".
Altissimamente recomendado! E não se prenda a significados.