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    O Paradoxo da Moral (Tópicos) -

    Vladimir Jankélévitch

    Martins Fontes
    2008
    252 páginas
    8h 24m
    ISBN-13: 9788578270278
    Português Brasileiro
    4.1
    14 avaliações
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    Favoritos1Desejados66Avaliaram14

    Para Jankélévitch, a filosofia moral - que é o primeiro problema da filosofia - se apresenta ao pensador que se aventurar a pensar a moral como o cúmulo da ambigüidade e do inapreensível. Ao invés de apresentar mais um tratado de filosofia moral, o autor extrai e expõe a infinita cadeia de contradições e paradoxos que habitam a consciência do homem; ele não atribui soluções ao impasse em que estas contradições nos colocam, mas nos incita a submergir na ação e a viver com clareza até o final esta tensão inevitável entra a entrega (o amor) e o egoísmo (o ser) e entre o dever e o direito. O Paradoxo da Moral, um dos últimos livros do autor, propõe uma reflexão que é contrária a toda idéia preconcebida e que tira o equilíbrio e desconcerta o incauto ou o desprevenido, que, logo no início, perde de vista o mundo granítico das verdades predeterminadas.

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    Fernanda Kontarski picture
    Fernanda Kontarski27/07/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Jankélévitch mergulha nas contradições mais íntimas da vida ética. O Paradoxo da Moral não é uma leitura fácil, mas é uma daquelas obras que permanecem reverberando muito depois da última página — pela forma como o autor nos força a olhar de frente para os impasses entre perdão, culpa, justiça e compaixão. Escrito por um filósofo que sobreviveu à Segunda Guerra Mundial e que refletiu profundamente sobre os horrores do nazismo, o livro traz uma carga moral contundente. Jankélévitch parte de uma pergunta dilacerante: é possível perdoar o imperdoável? A partir disso, ele nos leva por um percurso que atravessa conceitos como arrependimento, reconciliação, tempo, e sobretudo, a fragilidade da experiência ética. O paradoxo está justamente aí: o perdão verdadeiro exige arrependimento sincero, mas o arrependimento não apaga o mal. O perdão, por sua vez, pode parecer necessário, mas também injusto. A ética, então, deixa de ser um código e passa a ser um terreno onde cada decisão carrega uma ferida. Não há respostas simples. Não há paz total. E talvez, no fundo, esse seja o cerne da ética para Jankélévitch: o incômodo de não fugir das perguntas difíceis. A linguagem é filosófica, precisa, e por vezes até poética, mesmo quando trata de temas áridos. É um livro que exige atenção e escuta, mas que recompensa com uma sabedoria difícil — aquela que não conforta, mas transforma. Ponto forte: a profundidade com que explora os dilemas morais mais difíceis da condição humana, com coragem filosófica e sensibilidade ética. Ponto fraco: leitura densa, que pode cansar quem não está familiarizado com a filosofia existencial ou com a linguagem mais abstrata. Sensação que fica: um silêncio pensativo. A impressão de que a verdadeira moral começa onde a certeza acaba.

    2 curtidas

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    4.1 / 14
    • 5 estrelas29%
    • 4 estrelas50%
    • 3 estrelas14%
    • 2 estrelas7%
    • 1 estrelas0%
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    Vladimir Jankélévitch

    Filósofo e musicólogo de ascendência russa, foi professor da cadeira de Filosofia Moral na Sorbonne entre 1951 e 1979. Autor de uma obra considerável, traduzida no mundo inteiro. Estudou na Escola Normal Superior, em Paris, e foi influenciado pelo pensamento do filósofo Henri Bergson. Em 1944 dirigiu os programas musicais da Radio-Toulouse Pyrénées. Judeu, Jankélévitch atuou na Resistência antinazista durante a Segunda Guerra Mundial; mais tarde dedicou-se com paixão à causa de Israel (Jankélévitch era de origem judaica) e à defesa das minorias. Em 1965, ele afirmou no Le Figaro Littéraire que Heidegger havia ampliado o ataque alemão à Rússia em um de seus discursos; François Fédier, professor de filosofia em Neuilly, argumentou contra essa posição. Foi professor de filosofia moral na Universidade Sorbonne entre 1951 e 1979. Para ele, a moral é o problema central na reflexão filosófica. O pensador morreu na capital francesa em 1985. No Brasil, foram publicados os seus livros "Curso de Filosofia Moral" e "O Paradoxo da Moral" (ambos pela ed. WMF Martins Fontes) e "Primeiras e Últimas Páginas" (Papirus, esgotado)

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