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Como pode um livro tão pequeno ser tão pesado???
Logo na dedicatória do livro, a querida autora Danielle Sousa me diz: O Guilherme é um perdido. Dê uma chance pra ele. E eu dei, mas ao contrário do que talvez fosse comum que acontecesse, adorei o Guilheme logo de cara. Suas “esquisitices” e doideras fizeram com que eu sentisse pena dele, um sentimento nada bonito, eu sei, mas foi por aí que comecei a tentar entendê-lo e a gostar dele.
A História de Guilherme O. é um livro sobre aquelas pessoas que podem ter tudo o que desejam, financeiramente falando, mas que se sentem pobres de afeto, de carinho, de amor, de amigos verdadeiros e de força pra viver. Guilherme é assim. Um errado com amigos mais errados ainda, mas que nasceu na família certa. Mas ok, certa pra mim, que estou lendo. Pra ele, a família nada tem a acrescentar em sua vida, pelo contrário…
Quando Guilherme vai para uma clínica de reabilitação, ele conhece Júlia, a garota certa pra ele. Aquela que faz com que ele tenha vontade de viver, que faça sua vida ter sentido e superar os probleminhas, que na sua cabeça problemática são problemas do tamanho dos seus vícios…
Se a história de Guilherme e Júlia tem final feliz… isso eu não vou te contar. Mas vou dizer que se você curte uma história com referências musicais e literárias e um protagonista perdido, como descrito pela própria autora, você vai curtir esse livro. Eu curti ;) Só queria que ele fosse um pouco mais longo…
Quotes que amei:
Sempre gostei do natal, gosto da sensação que a data proporciona: casa no escuro e só as lâmpadas da árvore refletindo na parede, ansiedade pra que chegue a meia-noite, saber que todos estão fazendo o mesmo. Felicidade que já já passa.
Ela me chamava de namorado e da primeira vez que eu escutei isso, assustei. Na minha cabeça nós só dormiámos juntos de vez em quando.
- Tá tentando dizer que a criança era minha?
- Estou.
- Tá tentando me fazer ter pena de você?
- Estou.
- Se esforce mais um pouco.
Desligo o telefone mais calmo, a voz de Júlia fez o mundo voltar a ter um centro. Me olho no espelho, meu rosto não está nada bom, lavo passando de leve a mão por ele, olho de novo mas não há grande diferença entre antes e depois. Viado, sussurro, porque Rufus está deitado na minha cama e tenho certeza que ele fingi dormir.
Porque parece que viciado nunca consegue ser ex. O ex não exsiste nesses casos. Assim como assassino não consegue voltar a ser humano.
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