FHC, Forças Armadas e Polícia - entre o autoritarismo e a democracia (1999-2002)

    Jorge Zaverucha

    Record
    2005
    285 páginas
    9h 30m
    ISBN-13: 85-01-07449-7
    Português Brasileiro

    Democracia não reduz poder dos militares - Livro do cientista político Jorge Zaverucha demonstra a força oculta exercida a partir da caserna no Brasil. Por Heraldo Leite - O Tempo | 14.JAN.2006 O mais recente livro do cientista político Jorge Zaverucha não vem a reboque da crise que desde maio dá o que falar e o que escrever. Este pernambucano enveredou-se por uma trilha que poucos de seus pares adotaram. Em “FHC, Forças Armadas e Polícia”, Zaverucha questiona, instiga e não se furta em colocar o dedo na ferida: “Impressiona o fato de a coalizão de centro-direita que escreveu a Constituição de 1988, ainda controlar o Congresso Nacional. Os artigos da Constituição que versam sobre as Forças armadas e forças policiais foram perifericamente alterados mantendo-se, deste modo, vários enclaves autoritários dentro do Estado”. Na primeira parte, Zaverucha questiona a incipiente democracia brasileira e apresenta argumentos que os fatos recentes demonstram seu acerto. Ele discorda frontalmente de autores e colegas para os quais o simples fato de se registrarem eleições livres e periódicas significam um quadro democrático. “A democracia não pode estar desligada do contexto socioeconômico em que vivem os indivíduos. Do contrário, torna-se, para muitos, irrelevante”. Ponto para quem se lembrou de pesquisa recente, do Instituto Latinbarómetro, em que a preferência pela democracia como regime de governo apresenta queda livre. A parte mais elaborada e instigante de “FHC, Forças Armadas e Polícia” surge quando o autor apresenta um minucioso levantamento sobre o poder oculto que os militares ainda exercem no Brasil. Com a precisão do cientista político e a astúcia dos bons repórteres, Zaverucha apresenta cálculos, questiona leis e lembra fatos que mostram quão grande é a influência da caserna na vida política brasileira. Exemplo nº. 1: o orçamento destinado às Forças Armadas vem em terceiro, abaixo somente da Previdência Social e do Ministério da Saúde, superando, portanto, o Ministério da Educação. Mas é a folha de pagamento, que não pára de crescer, que consome a maior parte das verbas. O Exército andou dispensando soldados por falta de condições de remunerá-los. Sobram generais e oficiais. Falta verba para equipamentos. Exemplo nº. 2: o ex-presidente Itamar Franco suspeitou que estava sendo espionado por agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). O então presidente Fernando Henrique Cardoso negou, como de praxe, peremptoriamente. Logo depois do episódio o próprio FHC descobriu, com grande surpresa, que o filho Paulo Henrique Cardoso também andara sendo espionado por três meses. Ao longo de tantos exemplos e reflexões, o autor entende que a presença dos militares é fruto do medo da instabilidade política, ou ingovernabilidade, como preferem alguns analistas. “Prefere-se a estabilidade política ao aprofundamento da democracia. Por quanto tempo esta situação perdurará, é a pergunta que não quer calar”, questiona Zaverucha, ao final do livro. Fonte: http://jorgezaverucha.sites.uol.com.br

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    Vitor Gaúcho picture
    Vitor Gaúcho22/04/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Militares, democracia e a velha política

    Nesse livro, o escrito Jorge Zaverucha discorre sobre a relação do governo FHC com as forças armadas e a fragilidade da democracia brasileira. Nos dias de hoje, onde Bolsonaro e sua trupe tentam a todo custo um golpe de estado, essa leitura se tornou ainda mais atual do que na época. Se na época tínhamos vestígios de golpismo militar, agora temos evidências do ideal golpista deles. Fernando Henrique resolvia as coisas na negociação, ele tinha forte poder de barganha para manter os milicos no eixo, mas mesmo assim sofreu a ameaças de golpe e até de assassinato. Como disse o, então deputado, Jair Bolsonaro: “Ele(FHC), por mim, tinha que ser fuzilado”. O exército simboliza um atraso para o Brasil e não é de hoje. Foram eles que sustentaram a posse do Marechal Hermes da Fonseca tendo provas que ele fraudou a eleição, foram eles que derrubaram o presidentes Vargas em 45 e o levaram a morte em 54, foram eles que derrubaram João Goulart o acusando de ser comunista e nos socaram 21 anos de ditadura. Não é difícil ver que os militares nunca defenderam os direitos da nação e sim os próprios. E se alguém discorda disso, os convido a ler esse livro e mudar de opinião!

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