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    Prima Belinha -

    Ribeiro Couto

    Editora Clube Do Livro
    1957
    177 páginas
    5h 54m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.3
    3 avaliações
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    Favoritos0Desejados1Avaliaram3
    Resenhas (1)Ver mais
    Ladyce West picture
    Ladyce West16/10/2011Resenhou um livro
    3 (Bom)

    O retrato de um Brasil inocente

    Este é um romance leve, encantador, que retrata um Brasil de surpreendente inocência. PRIMA BELINHA foi o primeiro romance de Ribeiro Couto, escrito “quase todo em 1926” -- como o autor explica na apresentação — mas só publicado em 1940, depois que o autor já havia se tornado membro da Academia Brasileira de Letras. O romance segue a vida de um jovem mineiro, que praticamente deixado à porta do altar por sua prima, de quem se considerava noivo desde sempre, vem para o Rio de Janeiro. Na capital do país ele encontra uma situação política diferente daquela a que estava acostumado em S. Antonio do Mutum, onde seu pai era chefe político. Sem rumo, sem ambição definida, José Viegas, que não tinha aptidão para coisa alguma além do bem e quieto viver no interior do país, não consegue, como esperava um bom emprego. A influência política de seu pai, forte no interior, não tem a importância que ele ou o pai imaginavam. Mas na falta de melhor oportunidade, Viegas permanece na capital. A simplicidade do movimento político retratado reflete a inocência de José Viegas. Recém-chegado à capital, o jovem, por vingança de amor, se envolve numa trama para derrubar o governo que desde o início o leitor desconfia não ter respaldo. Fadada ao insucesso, a aventura do mineiro em terras cariocas lembra o despreparo político do cidadão comum, e a inocência da sociedade brasileira da década de 1920. A deliciosa prosa do autor com um estilo leve, mas preciso, esconde habilmente qualquer crítica social. Isso ele deixa ao leitor, que nos dias de hoje, acha difícil acreditar em um mundo tão inocente quanto o representado, quer em Minas quer no Rio de Janeiro. Vamos e venhamos, fica difícil, nos dias de hoje, imaginar, um grupo de revolucionários encontrando-se nos fundos de uma padaria do subúrbio, aonde chegam através de prosaicas viagens de bonde. Talvez, mesmo em 1926, quando o romance foi escrito, essa realidade parecesse propositadamente inocente. Mas com os olhos da segunda década do século XXI ela parece imensamente anacrônica. Seria surpreendente então dizer que PRIMA BELINHA é uma boa leitura? Não, não é surpresa. A prosa de Ribeiro Couto encanta.

    3 curtidas

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    4.3 / 3
    • 5 estrelas67%
    • 4 estrelas0%
    • 3 estrelas33%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    Rui Esteves Ribeiro de Almeida Couto profile picture

    Rui Esteves Ribeiro de Almeida Couto

    Ribeiro Couto cursou a Escola de Comércio José Bonifácio, em Santos, cidade onde, em 1912, iniciou-se no jornalismo. Em 1915 ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, que cursou enquanto fazia reportagens para o Jornal do Commercio, e, depois, para o Correio Paulistano. Formou-se na Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro, em 1919. Problemas de saúde o obrigaram a se mudar-se para Campos do Jordão, no interior de São Paulo, não sem antes tomar parte na Semana de Arte Moderna de 1922. Depois de dois anos em Campos do Jordão, foi para São Bento do Sapucaí, onde foi delegado de polícia — cargo que não o ocupou muito, pois logo foi para São José do Barreiro assumir o posto de promotor público. Em 1925 nova transferência por causa da saúde, desta vez para Pouso Alto, Minas Gerais, onde ficou até 1928. Naquele ano voltou ao Rio de Janeiro para trabalhar como redator no Jornal do Brasil e, logo depois, seguiu para Marselha, onde assumiria o posto de vice-cônsul honorário, a convite do cônsul Mateus de Albuquerque. De Marselha foi para Paris, onde ocupou o cargo de adido do consulado-geral. Logo o ministro Afrânio de Melo Franco o promoveu a cônsul de terceira classe (1932). Paralelamente à carreira de escritor e jornalista — não deixou de colaborar com o Jornal do Brasil, nem com O Globo, nem com A Província (Pernambuco) —, seguiu carreira diplomática bem-sucedida, até tornar-se embaixador do Brasil na Iugoslávia, em 1952, cargo em que se aposentou. Para os jornais, enviava sobre literatura e acontecimentos na Europa. Em 1958 conquistou, em Paris, o prêmio internacional de poesia outorgado a estrangeiros, pelo livro Le jour est long (que escreveu em francês). Sua obra mais famosa é Cabocla, adaptada duas vezes para a televisão. Muitos de seus livros foram traduzidos para o francês, o italiano, o húngaro, o servo-croata e o sueco. Seus romances retratam o dia a dia das pessoas humildes e anônimas dos subúrbios.

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    1 Seguidor
    São Paulo, Brasil

    Rui Esteves Ribeiro de Almeida Couto