Em Seara de Vento, de Manuel da Fonseca, dois personagens se impuseram: o vento (antropomorfizado) e Amanda Carrusca, mulher pequena, esquelética, mas indomável na força anímica que desde o inicio evidencia. Amanda Carrusca tem esse perfil psicológico: a violência do ódio acumulado, a rapidez felina dos movimentos, o olhar faiscante de uma intuição invulgar, tudo se exprimindo numa fragilidade física inquebrantável. Esta mulher não tem nada: vive num casebre, trabalhou toda a vida e agora sente-se um “farrapo”, um peso para o resto da família, mas é, malgré tout, uma lutadora. Dir-se-ia que espera a sua morte como quem espera uma libertação mas nem essa lhe deixam aguardar com tranqüilidade pois luta até final porque lutar é para esta mulher um destino. Esta mulher aceita o sofrimento mas não o deseja. Não é para matar (...) que a gente deve unir-se, é para podermos viver. Romance de 1958.


