REALI JR., O ‘’HOMEM ÀS MARGENS DO SENA’’, é correspondente no exterior há 35 anos. Fez reportagens sobre momentos históricos como a Revolução dos Cravos, em Portugal; a morte do caudilho Francisco Franco, abertura e democratização da Espanha; a assinatura, em Paris, do acordo de paz no Vietnã; a Guerra Irã-Iraque; o assassinato do presidente egípcio Anuar Sadat, no Cairo; a morte de Arafat, em Paris; diversas eleições legislativas na Europa. Entre outras personalidades, entrevistou Chico Xavier, os presidentes Jânio Quadros, José Sarney, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva; o aiatolá Khomeini; Yves Montand, Glauber Rocha, os presidentes da França Giscard d’Estaing, François Mitterrand e Jacques Chirac. Durante cinqüenta anos de carreira, os primeiros dezesseis no Brasil, trabalhou para o Correio da Manhã, O Globo, Diários Associados, e para o Estado de S. Paulo, Rádio Record, Rádio Jornal do Brasil e Rádio Panamericana – hoje Jovem Pan –, a qual em 1972 o enviou a Paris, de onde, no início escreveu também para os Diários Associados, e a partir de 1973 para o Estadão. Ainda no Brasil, trabalhou na TV Record e TV Tupi, e na França para a TV Globo e ESPN, durante a Copa de 1998, e para a TV Bandeirantes, na Copa de 2006.
Às Margens do Sena -
REALI JR.
O derradeiro boletim do correspondente imortal.
A morte recente de Reali Júnior, que durante 35 anos foi um dos mais destacados correspondentes brasileiros em Paris, servindo a vários veículos de comunicação, sobretudo à Rádio Jovem Pan, privou o público do arguto e raro faro de repórter, respeitado por colegas, políticos e personalidades. Esse pequeno livro de “lembranças” (talvez, pela forma leve e despretensiosa com que é aprsentado, não possa ser enquadrado como um livro de memórias ou uma biografia tradicional, e não vai aqui nenhum demérito no comentário...) em forma de depoimento à Gianni Carta, trazem à tona não só o profundo conhecimento que fez de Reali um dos ícones do jornalismo brasileiro, capaz de discorrer com profundidade sobre política internacional, futebol (começou como repórter esportivo) e gastronomia, como também um pouco de sua visão privilegiada sobre a mídia e suas transformações, o que por si só fazem da obra um item obrigatório em qualquer curso de comunicação. Mas, de fato, a cereja do bolo são as observações privilegiadas de quem conviveu com alguns dos protagonistas de boa parte de nossa história recente. Os perfis de Ademar de Barros e Jânio Quadros, políticos cujas trajetórias o autor acompanhou de perto, são até certo ponto surpreendentes em relação à imagem pública de ambos. Reali confessa certa admiração por Leonel Brizola, a quem concede o rótulo de “um dos poucos políticos que nunca se deslumbrou com o poder”, e expôe suas divergências com Carlos Lacerda (que, segundo consta, chegou a pedir a cabeça do correspondente à família Mesquita, dona do Estadão), José Sarney e Fernando Collor. Lula e Fernando Henrique, talvez por mais recentes, são avaliados com parcimônia, embora as reflexões de Reali sobre o período PSDB-PT , constitua uma das partes mais consistentes do livro. O lado gourmet do jornalista não é esquecido, já que o livro traz quase que um breve guia, com considerações sobre as culinárias francesa e italiana, salpicadas de causos sobre excursões a restaurantes ao lado dos amigos Luís Fernando Veríssimo, Boni e Fausto Silva. “Às Margens do Sena” traz ainda um verdadeiro mosaico de breves depoimentos de amigos (o mais comovente é o de Willam Waack, que o considerava um verdadeiro pai) e da esposa Amélia, que ajudam a conhecer um pouco o imenso carisma que encantava a todos que conviveram com Reali Jr. Paris é uma festa, no entanto, um pouco menos interessante após a partida do repórter canarinho.
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