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    Outono Transfigurado -

    Georg Trakl

    Assírio & Alvim
    1991
    116 páginas
    3h 52m
    ISBN-13: 9789723702972
    Português Brasileiro
    4.3
    4 avaliações
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    Numa magnífica tradução de João Barrento, um conjunto de poemas deste poeta "apocalíptico", nascido em Salzburgo em 1887, e que viria a morrer em Cracóvia, vítima de sobredose de cocaína em 1914. Maldito, como Rimbaud, era "como um estrangeiro na sua terra", e a poesia surge como um canto de beleza, narrando o seu desespero, que o amor incestuoso pela irmã e o abuso de drogas acentua e desespera.

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    Aguinaldo Medici Severino picture
    Aguinaldo Medici Severino25/06/2012Resenhou um livro
    3 (Bom)

    outono transfigurado

    Neste pequeno livro encontramos onze conjuntos de poemas e quatro narrativas curtas (ditas poemas em prosa) de Georg Trakl. Austríaco, Trakl nasceu no final do século XIX e suicidou-se muito jovem, aos 27 anos, no início da primeira grande guerra. A edição é bilíngue (mas o português de Portugal parece aumentar o estranhamento do leitor com os temas soturnos de Trakl). A compilação, tradução e um bom prefácio incluídos no livro são assinados por João Barrento. Os poemas são melancólicos, mas não piegas. Suas influências mais óbvias vem dos poetas simbolistas franceses, especialmente Rimbaud e Baudelaire. Aprendi no prefácio que Trakl teve uma vida atormentada por uma experiência incestuosa com a irmã e pela utilização de drogas pesadas como estímulo criativo, vivendo sempre obcecado com a morte. Lendo os poemas verificamos que quase sempre há um contraste entre opostos: luz e escuridão; contemplação e vivacidade; frio e calor. Encontramos também uma espécie de resgate de ritos pagãos, de culto a lua, ao sol, as florestas, as pedras e os rios. Os poemas em prosa são bem expressionistas, revelam a opinião de Trakl sobre o lado mais sombrio e terrível dos atos humanos. A edição inclui duas fotografias de Trakl, que parecem querer dialogar com o leitor. Na primeira Trakl está sentado, mãos cruzadas, olhando fixamente a cãmara fotográfica. Não parece incomodado, antes parece desafiar quem está a fotografá-lo. Já na segunda ele está em pé, usando uma farda, corte de cabelo militar, espada. Olha obliquamente a direção da fotografia. Uma de suas mãos está com o punho fechado, pronta para ser utilizada contra alguém. A outra mão está escorada no cinto, demonstrando um certo desdém com a situação. A obra de um sujeito sempre tem que se defender sozinha, mas estas duas fotos de Trakl tornam a experiência de ler seus poemas algo mais pessoal, diminuindo a angústia que sobra e vaza deles. Sigamos. [início 01/07/2012 - fim 03/07/2012] "Outono transfigurado: Ciclos e poemas em prosa", Georg Trakl, tradução de João Barrento, Lisboa: editora Assírio & Alvim, 1a. edição (1992), brochura 13,5x20,5 cm, 113 págs. ISBN: 978-97-2370-297-2 [edição original: Dichtungen und Briefe, Walter Killy e Hans Szklenar (Otto Müller: Salzburg), 1969]

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    Georg Trakl profile picture

    Georg Trakl

    Nascido em Salzburgo, Áustria, em 1887, Georg Trakl tornou-se, através dos poemas escritos sobretudo nos seus dois últimos anos, o maior dos expressionistas e um poeta de exceção que, estabelecendo o nexo entre a loucura de Höelderlin e o desespero de Paul Celan, tem sido cultuado quase secretamente por um sem número de leitores devotos. A sua poesia, de declínios e ocasos, de desintegração e ruínas, de decomposição e morte, era uma poesia dolorosamente imbuída da doença do mundo em seu redor, descrente de qualquer cura e nostálgica de um tempo inconcebivelmente remoto. Trakl considerava-se apenas semi-nascido. Teve uma vida conturbada e profundamente amargurada. Foi reconhecido por pessoas como os filósofos Wittgenstein, (que apesar de o admirar, dizia não o compreender), e Heidegger, que tentou decifrar a sua "ambígua ambiguidade".

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    Georg Trakl