Insânia
“Arte e loucura são irmãs siameses”, escreveu o poeta Eduardo Ferreira ao ler Insânia. De fato. Neste livro da poetisa Luciene Carvalho, ela propõe um novo olhar para a loucura, contando sua própria história por meio de poesia quando esteve internada em um hospício psiquiátrico logo após um surto diagnosticado como Transtorno Afetivo Bipolar de Humor. Associado a esses fortes poemas, no livro contém as cartas que Luciene trocou com sua psiquiatra. “Em nosso último encontro, em algum momento, a senhora usou a expressão ‘sua loucura’. Declino a propriedade de qualquer loucura ou mesmo parte dela. Se minha ela fosse, controlar-me seria controlá-la.” pág.30 Em outra dessas cartas Luciene fala sobre a internação, de como o paciente é tratado com descaso, não tem escolhas respeitadas, não tem voz ativa, sofre com a dor do escárnio das pessoas, constrangimento dos amigos e abandono da família. “Por que somos tão punidos por algo que nos aconteceu sem que tivéssemos escolha?” pág. 33 Havia um pouco da minha loucura nos seus poemas, me levou às lágrimas em alguns. Como ela mesma disse em sua dedicatória, “acolhi a louca nossa de cada dia”. Insânia pede olhos mais empáticos à loucura afinal “cada ser humano é manicômio individual com um louco dentro”.

