É um livro de mais de 100 sonetos sobre quase tudo. Difícil lembrar um assunto que o autor não toque, não ponha em decassílabo. E fala de tribo urbana, de história, de putaria; de São Paulo, literatura, cinema e putaria; de metrô, de punk, de hippie, de putaria; da sua cegueira, enfim? explica-se o subtítulo.
Em Glauco, o padrão tá mais na forma poética, o soneto do seu mestre Camões. Claro, dá pra catar um padrão nos tópicos sonetados, por recorrência: o sexual, na tara por lamber pés e paus ensebados. Tal recorrência, aliás, me faz crer que o livro seria ainda melhor se tivesse menos poemas sobre a tara, pois em alguns momentos a obra soa repetitiva.
Mas é coisa dele. Glauco quer a transgressão. É a palavra a serviço do boicote ao belo arraigado nos poeminhas gerais, bombardeados por um humor escrachado. Gosto disso.
Baita livro.