Callie está passando o verão com seu tio Harry, que trabalha com leilões. Ele está encarregado de avaliar um manuscrito iluminado levado por um herdeiro. Porém, analisando-o cuidadosamente, Harry desconfia que tenha um palimpsesto em mãos (tipo de livro feito de um material que podia ser lavado e reutilizado).
Assim, ele vai procurar ajuda de seu antigo mentor, um professor que sofre de agorafobia e, portanto, não deixa sua casa há muito tempo. Neste encontro, Callie conhece August, filho do professor, e que ficará encarregado, juntamente com ela, de fazer pesquisas para descobrir quem foi o misterioso dono anterior do livro e qual é a verdadeira história que existe por baixo da história.
A narrativa é linear e em primeira pessoa, e assim, vamos descobrindo os fatos junto com Calliope. Apesar de ser uma história que envolve várias outras, a autora optou por não utilizar flashbacks. Ao invés disso, quando algo do passado precisa entrar na história, temos algum personagem contando-nos o fato. A desvantagem desse método, é que deixa a narrativa parcial, porque além de ser alguém contando a própria interpretação dos eventos, ainda estamos observando da perspectiva da Callie e como ela os recebe.
Mesmo assim, a história flui muito bem e o mistério, embora não seja frenético, deixa aquele gosto de curiosidade que moverá o leitor. Eu, por exemplo, mesmo sem gostar de capítulos mais longos – como é o caso neste livro – fui virando as páginas naturalmente e cheguei ao fim bem antes do que eu imaginara.
Callie é apresentada como uma personagem bastante comum e mediana, mas à medida que a história se desenvolve, ela vai se tornando irritante, sem se importar com nada além de sua paixonite de verão. August, entretanto, é mais interessante. Ele é dedicado, bondoso, e por vezes um pouco esquisito, mas de uma maneira adorável que faz com que o leitor queira abraçá-lo.
Harry me pareceu um pouco estereotipado, mas, de qualquer forma, ainda é o melhor personagem da história, sempre com seus planos mirabolantes e seu amor pela sobrinha. Gostaria de ter visto mais o marido dele, Gabe, mas infelizmente ele acaba sendo mais citado do que propriamente aparecendo em cena.
Miriam é descrita como uma pessoa maravilhosa, por quem Callie sente um grande carinho desde o primeiro momento, mas apesar da história interessante, não é uma personagem tão memorável.
Abelard e Heloise, as famosas lendas de Paris³, também tem suas histórias contadas no livro, mas pouco aparecem como personagens mesmo – ou seja, utilizados pela autora em um enredo próprio e não a já conhecida história.
Na verdade, acho que justamente por ter tantos personagens em uma história de duração tão curta, a autora não conseguiu se aprofundar o suficiente em nenhum dos enredos.
No decorrer, a história chegou a me lembrar o livro Julieta, de Anne Fortier. Visto que ele é um dos meus favoritos, estava bastante empolgada. Porém, senti como se a autora tivesse se perdido perto do final. Todos os elementos estavam lá: a caçada, o mistério, a história antiga, os sonhos e fantasmas, diversos personagens interessantes... Ainda assim, o final foi solto, rápido e insatisfatório. Sabe aquele livro que você vai lendo com expectativa, mas percebe, tarde demais, que não há páginas o suficiente sobrando para que a história tenha o tipo de desfecho que você espera? É este o caso.
O paralelo traçado entre todas as histórias de amor foi muito bom, admito. Gosto especialmente do fato de abordar os amores destrutivos, que estão no limite do conceito, uma vez que é mais prejudicial do que benéfico e causa mais dor do que felicidade. Porém, quanto mais a autora se focava nos romances, mais perdia no lado do suspense. Assim, a história que começa como um mistério, termina como um romance água-com-açúcar.
O romance que mais incomoda é entre os protagonistas. No começo, tudo vai ocorrendo naturalmente, em um ritmo satisfatório. De repente, porém, eles se tornam dois rebeldes que mal se conheceram, mas já não podem viver separados. Além disso, devido ao subtítulo, eu esperava mais da história de amor dos dois.
A capa é linda e foi, provavelmente, o motivo pelo qual acabei comprando o livro. No interior, a edição também tem os detalhes de estrelinhas combinando com a capa – o que me surpreendeu positivamente, visto que a minha edição é paperback e geralmente estes são os mais simples.
Leria outros livros da autora, visto que a escrita foi instigante, mas esse ficou em cima do muro. Se me pedissem uma opinião eu não conseguiria responder apenas um "recomendo" ou "não recomendo", teria que articular um pouco a respeito do livro. Além disso, por não ter um vocabulário tão fácil, também teria que tomar o cuidado de saber o nível da pessoa a quem indicar, para que a leitura não se tornasse massante e confusa. Ainda assim, talvez valha a leitura para tirar as suas próprias conclusões.
"Algumas pessoas são como estrelas cadentes. Elas irrompem em nossas vidas em um arco espetacular, mas elas não se demoram muito. Elas apenas deixam rastros." (Tradução livre, p. 163)