Inspirou o filme "Inferno na Torre". Problemas na construção causa na inauguração do Edifício uma corrida contra o fogo.
A Torre -
Richard Martin Stern
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Esse livro tinha tudo para ser sensacional, porque logo na (bela) capa é vendida o grande desafio a partir do qual tudo se desenrolará: o incêndio na Torre do Mundo, o mais novo e moderno prédio da cidade, um verdadeiro monumento da tecnologia e da engenharia cuja construção demorou anos e custou uma fortuna. Entretanto, para meu desapontamento, o grande problema na história está em seus personagens, que em sua maioria não empolgam por conta da estereotipação e de outras características particulares nada atrativas (Zib Wilson, você ganha um troféu nesta categoria). A única ressalva de personagem realmente interessante é Bent Armitage, que assume as rédeas da situação quando o inferno começa por conta do incêndio. E uma pena, inclusive, que ele não sobreviva ao incêndio no final, porque foi o único personagem que despertou meu interesse e que achei mais carismático, eloquente e com uma inteligência distintiva em relação a todos os outros. Claro que as discussões entre ele, o prefeito Bob Ramsay e o Senador Peters também sejam pontos altos, mas, no fim, quem brilhava era Bent Armitage. Nat Wilson, por sua vez, também merece uma menção aqui. Apesar de ser um dos protagonistas, ele é esquecível, porque, nem mesmo sua inteligência, calma, dedicação e frieza calculista (determinante para as tentativas de salvar as dezenas de pessoas da Torre em chamas, aliás), me impedem de achá-lo sem sal. É claro que existem pontos muito positivos em A Torre. O primeiro deles, e talvez o principal, é o inegável estilo narrativo do autor, que me agradou bastante, porque ele consegue expressar perfeitamente o quão imponente e ambiciosa é a Torre do Mundo. O ponto máximo foi compará-la a um ser vivo, devido à complexidade da engenharia e dos diversos sistemas automáticos, dispositivos e demais recursos que tornam cada andar, cada fio, cada detalhe estrutural, algo de suma importância para o todo. É fascinante ler as primeiras páginas e ver Richard Martin Stern se esbaldar na descrição do verdadeiro protagonista de seu livro. Também gosto muito da tensão crescente que é construída a medida que ele detalha o quanto a Torre está "agonizando" por conta da expansão do incêndio pelos andares. E o fato de, a cada capítulo, vermos a faixa de horário em que ocorrerá, apenas ajuda a aumentar essa tensão. Também gostei do modo que o autor parece brincar com o leitor a medida que o incêndio avança e os planos de resgate são postos em ação (e fracassam em sua maioria): uma hora você acha que todos vão conseguir se salvar, pois o novo plano parece bom, mas depois o balde de água fria é jogado porque algum detalhe determinante para o fracasso vem a tona. E o final, que resulta na morte de boa parte dos que ficaram presos na Torre, mostra uma tentativa de expressar uma realidade nua e crua: tragédias acontecem a qualquer momento e local, e elas não escolhem as pessoas que serão vítimas. Por fim, outro ponto interessante foi observar o comportamento de alguns dos que estavam presos na Torre enquanto um incêndio iria, muito provavelmente, tirar-lhes a vida: uns perdiam a calma por qualquer coisa, outros conseguiam achar calma de onde não deveria existir, outros lamentavam por oportunidades perdidas, alguns simplesmente se colocavam para dançar a música mais descolada possível. Até mesmo a política apareceu durante o cerco - protagonizada por Bent, Ramsay e Peters. As conversas dos três, principalmente entre Bent e Peters são inteligentíssimas e carregadas de um perigo muito bem-vindo. No geral, foi uma leitura tranquila e que não me exigiu muito, mas eu realmente fiquei decepcionado porque achei que seria mais impactante. Minha conexão com os personagens de uma história são muito levadas em conta para minha opinião final sobre um livro de ficção, e não teve como eu gostar mais de A Torre porque muitos dos personagens não se conectaram a mim - inclusive detestei vários. Existe ação, suspense, construção de tensão e bons diálogos aqui e ali, mas a falta de força nos personagens custou muito caro pra qualidade geral, na minha opinião.
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3.5 / 36- 5 estrelas28%
- 4 estrelas11%
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