Quando a pesquisa da pintura rupestre das expedições de Frobenius levaram-no a símbolos e desenhos que indicavam uma transfusão de culturas e crenças religiosas entre as civilizações africana e egípcia e entre outras raças, passou a ser-lhe necessário compreender a mitologia que estava por trás dessas pinturas. Na África, em muitos casos isso exigia a coleta de contos folclóricos e mitos nativos, e a correlação dessas histórias e superstições com as pinturas. Esse corpo de folclore, autêntico e cheio de imaginação, é a substância do presente volume. “Nós, os europeus modernos, concentrados no jornal e no que acontece de um dia para o outro, perdemos a capacidade de pensar grande. Precisamos de uma mudança no Lebensgefürhl (sentido da vida). Tenho esperanças de que a enorme perspectiva de avanço humano que foi aberta para nós por essas pinturas rupestres e pela pesquisa moderna da Pré-História contribuam em alguma medida, mesmo que muito pequena, para o seu desenvolvimento.” FROBENIUS Tenho Leo Frobenius, que recolheu as histórias que constam deste livro e muitíssimo outras, como um dos mais fascinantes personagens do início do século XX. Ao mesmo tempo explorador corajoso e obstinado, homem de gabinete, professor erudito e sonhador sem limites, foi, durante muito tempo, considerado um dos maiores especialistas em arte pré-histórica, e, até hoje, é difícil falar-se em África sem mencionar o seu nome. ALBERTO DA COSTA E SILVA
A Gênese Africana - Contos, Lendas E Mitos Da Africa
Leo Frobenius, Douglas C. Fox
“A gênese africana” é um desses livros na minha vida.
Sabe aquele livro que você fica paquerando um tempão na estante da livraria, pega, da uma folheada, ler a introdução, confere os trocados, pensa na fatura do cartão e ver que hoje não da para trazer? Pois é, “A gênese africana” é um desses livros na minha vida. Por isso quando tive a oportunidade de escolher ele para ler, vibrei e aguardei sua chegada ansiosamente. Infelizmente a leitura não pode ser feita tão rapidamente quanto eu desejei, mas de forma alguma foi uma leitura ruim. O livro na verdade é uma coletânea de contos de várias regiões diferentes da África coletadas por Leo Frobenius, um alemão apaixonado pela África que viveu suas aventuras durante o inicio do século XX. Mas, a riqueza desse livro não está apenas nos contos em si, esse é um livro cuja introdução e prefacio merecem uma atenção especial, pois a leitura pode nos revelar chaves para melhor compreender as histórias maravilhosas que vão se desenrolar diante de nossos olhos. Como disse Alberto da Costa e Silva na introdução do livro, Frobenius: “Não estava isento dos preconceitos de seu tempo, que faziam da África o continente da barbárie, mas a observou e ouviu com mais do que interesse e simpatia: com afeto.” A maior parte dos brasileiros, entre os quais eu me incluo, tem correndo em suas veias litros e litros de sangue africano, a maior parte de nós é afro-brasileiro e se não carrega a cor, carrega outros traços que remetem a África. Isso tanto é fato, que hoje, existe uma lei nacional que obriga o ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena em todas as escolas brasileiras. Nesse contexto conhecer um pouco das histórias africanas é como conhecer um pouco mais de nossa própria história. Desvendar os caminhos da África é desvendar nossos próprios caminhos. Valorizar o que vem de lá é nos valorizar, amar a África é amar o que somos. Quando mergulho nas narrativas das savanas e das estepes sinto que talvez elas tenham mais haver comigo do que as histórias de Grimm e Perrault. Nada contra Cinderela, Bela Adormecida e Branca de Neve, mas eu já cansei de ser constantemente informada a respeito dos meus avôs e avós que cruzaram o Atlântico a partir da Europa. Hoje eu quero conhecer mais e mais sobre o outro lado da minha família, aqueles lado que cruzou o Atlântico a partir da África ou mesmo os que já estavam aqui quando esse povo chegou ou foi trazido a força a essa terra. Amei “A gênese africana” por me fazer ouvir esses ecos do passado que não volta mais. E espero que venham mais e mais livros contando notícias da África ou da América pré-colombiana, eu e muitos outros estaremos aqui prontos para ouvir e aprender essas novas velhas histórias. E se você tiver a oportunidade de ouvir essas histórias, eu aconselho: “Não desperdice, ouça com atenção, se possível, faça como Frobenius e tenha também simpatia, vá além do que ele fez e livre-se do preconceito e se prepare, porque você pode gostar muito do que vai ouvir e até se identificar com algo!” Ah! Antes que eu me esqueça, é bom dizer que o livro é ricamente ilustrado com várias pinturas rupestres, reproduções do que foi encontrado pela equipe de Frobenius na África feitas por Kate Marr. Nele também encontramos retratos de homens e mulheres, estes foram produzidos durante as expedições de Frobenius à África, ou seja, no inicio do século XX. Leitura e Resenha feita por Jaci - A Pandora http://www.skoob.com.br/usuario/62017-pandora Link Postagem Saleta http://saletadeleitura.blogspot.com.br/2012/07/resenha-do-livro-genese-africana-de-leo.html
Estatísticas
Avaliações
3.8 / 35- 5 estrelas23%
- 4 estrelas43%
- 3 estrelas34%
- 2 estrelas0%
- 1 estrelas0%





