A adolescência é um período marcado pela rebeldia, descoberta de si mesmo e, entre outros, pela inconstância.
Em "Imortal - histórias de amor eterno" (organizado por PC Cast), os protagonistas são todos adolescentes. Porém, todos muito "maduros", prontos para assumir a imortalidade e viver um grande amor pela ETERNIDADE.
A adolescência também é o período das ilusões, das grandes paixões, da intensidade. Por isso, acreditar que será fácil viver eternamente com a mesma pessoa acaba sendo verossímil nessa fase. E é com esse pensamento que devemos encarar esta obra.
Os contos são bem parecidos, com exceção dos dois últimos - realmente muito bons. As autoras focam no público adolescente de maneira consistente, bem narrada.
No primeiro conto, "Amor Assombrado", Cynthia Leitich Smith conta a história de um "Edward Cullen" do interior. Um rapaz bom, protetor, sonhador. O conto é bom, apesar de ser "água com açúcar". É bonitinho ver o amor surgindo entre criaturas "amaldiçoadas". O desfecho, embora previsível, é meigo.
Em "Névoa Amarela", Kristin Cast inventa muito, dá uma nova cara ao vampirismo, mistura mitologia grega, insere as Moiras e deixa a história piegas e sem cabimento. Creio que algumas coisas não devem ser misturadas sem critério. Inventar é válido, mas manter uma certa fidelidade é mais válido ainda.
"Perseguição de um homem morto" (Rachel Caine) é um conto morno. Uma história que será facilmente esquecida, apesar de não ser ruim. A amizade entre vampiros e humanos me fez lembrar, mais uma vez, da febre Crepúsculo. Mas não deixa de ser legal colocar essa visão de que nem todo vampiro é mau.
"Bons modos à mesa", de Tanith Lee, é inovador demais. Por isso, senti um pouco de vergonha ao ver que o vampirismo pode ser curado com terapia! Mas é bonitinho, também. O romance é meigo e a protagonista é cativante.
"Lua azul" (Richelle Mead). Fraco, previsível e com a primeira contradição que peguei em toda a obra. Na página 151, Nathan joga a arma longe, mas no parágrafo seguinte, ele está com a arma em mãos. Depois, na página 155, Lucy diz que o sol está nascendo e que eles precisam passar a noite em algum lugar seguro (???). Concordo que vampiros dormem durante o dia, mas isso não faz do dia, noite! Não gostei, não só por ser mais mal escrito que os demais, mas não sei... nenhum personagem me cativou.
"Transformação" (Nancy Holder) é bom. É triste, o romance é plausível e o sobrenatural está mais de acordo com a lenda de vampiros que são transformados da noite para o dia, no estilo "Eu sou a lenda" (Richard Matheson), ou Bento (André Vianco). Desfecho previsível, apesar de um pouco confuso.
No conto "Farra", Rachel Vincent conta a história de uma sirena (sereia, porém, não vive na água e não é parte peixe) e sua melhor amiga, uma musa. E tem música! A música é sempre muito bem vinda! Aqui, o amor eterno pode ser visto de duas maneiras distintas. O desfecho é profundo, triste, bonito. Muito bem escrito.
No conto "Livre", Claudia Gray mostra o vampiro tradicional, sedutor, amoral (ou seria mesmo imoral?) e cruel. A protagonista, a despeito de seus 15 anos, é forte, determinada, madura. A questão histórica, a escravidão em Nova Orleans do século XIX, a maneira como as mulheres, principalmente as negras, eram vistas dão ao conto um toque de realidade, revolta, repúdio pela humanidade. Desfecho surpreendente e adorável.
Por fim, vale ressaltar que a edição está muito boa, com pouquíssimos erros de revisão (e os que existem, são muito pequenos). Um livro muito bonito e bem feito que com certeza agradará demais os adolescentes fãs da nova onda vampírica que se faz presente na literatura mundial.