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    AQUI DENTRO - Páginas de uma Memória: Carandirú

    Maureen Bisilliat

    Imprensa Oficial
    2003
    259 páginas
    8h 38m
    ISBN-10: 8570601948
    Português Brasileiro
    4.9
    4 avaliações
    Leram7Lendo0Querem22Relendo0Abandonos1Resenhas1
    Favoritos0Desejados22Avaliaram4

    A tônica deste livro está no ouvir, no poder da palavra e na necessidade de narrar. Ouvir é a palavra-chave. Ouvir para valer, com respeito profundo, procurando compreender o que está sendo dito com considerações reflexivas sobre a vida. "Aqui Dentro - Páginas de uma Memória: Carandirú", propõe o diálogo como forma de combate à violência.

    Resenhas (1)Ver mais
    Mariana De Lima Santos picture
    Mariana De Lima Santos26/03/2013Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Chocante

    Este livro conta a hostória do Carandiru na visão dos presidiários. Ele contém além das histórias, algumas fotos do presídio, um pouco chocante. Eu gostei de ter lido, porque a sociedade em sua maioria sempre julga as pessoas que estão presas, mas não é porque cometeram crimes que eles tem que ter uma vida desumana lá dentro. Com este livro entendi porque tantos presos saem revoltados e dificilmente são ressocializados.

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    Sheila Maureen Bisilliat profile picture

    Sheila Maureen Bisilliat

    Sheila Maureen Bisilliat (Englefieldgreen, Inglaterra, 1931). Fotógrafa. Estuda pintura em Paris e Nova York, antes de se fixar definitivamente no Brasil em 1957, na cidade de São Paulo. Troca a pintura pela fotografia no início dos anos 1960, trabalhando na Editora Abril entre 1964 e 1972, na revista Realidade. É autora de livros de fotografia inspirados em obras de grandes escritores brasileiros: A João Guimarães Rosa, 1966; A Visita, 1977, no poema homônimo de Carlos Drummond de Andrade (1902 -1987); Sertão, Luz e Trevas, 1983, no clássico de Euclides da Cunha (1866-1909); O Cão sem Plumas, 1984, no poema de mesmo título de João Cabral de Melo Neto (1920-1999); Chorinho Doce, 1995, com poemas de Adélia Prado (1935); e Bahia Amada Amado, 1996, com seleção de textos de Jorge Amado (1912-2001). Em 1985 expõe em sala especial na 18ª Bienal Internacional de São Paulo um ensaio fotográfico inspirado no livro O Turista Aprendiz, de Mário de Andrade (1893-1945). Merecem ainda menção as obras de sua autoria: Xingu Território Tribal, 1979, e Terras do Rio São Francisco, 1985. A partir da década de 1980, dedica-se ao trabalho em vídeo, com destaque para Xingu/Terra, documentário de longa-metragem rodado com Lúcio Kodato na aldeia mehinaku, Alto Xingu. Em 1988, é convidada pelo antropólogo Darcy Ribeiro (1922-1997), com Jacques Bisilliat (seu segundo marido) e Antônio Marcos Silva (seu sócio), a levantar um acervo de arte popular latino-americano para a Fundação Memorial da América Latina. Viaja com Jacques para o México, Guatemala, Equador, Peru e Paraguai para recolher peças para a coleção permanente do Pavilhão da Criatividade, do qual é curadora. Análise Maureen Bisilliat consagra-se no Brasil, onde vive desde a década de 1950, atuando no campo da fotografia. Em sua trajetória, a técnica se insere no caminho do que parece ser um projeto de cada vez mais procurar maneiras de combinar textos literários e imagens, o que talvez se explique por sua experiência profissional como designer gráfico na Inglaterra. A partir da década de 1960, fotografa o Brasil tal o relatado (e imaginado) na obra de escritores consagrados, entre eles Guimarães Rosa (1908-1967), Euclides da Cunha (1866-1909) e João Cabral de Melo Neto (1920-1999). Nos livros que resultam desse projeto fotográfico-literário, as legendas das fotos são substituídas por trechos das obras, o que indica a preocupação, mesmo no início de sua carreira como fotógrafa - o livro A João Guimarães Rosa, por exemplo, é de 1966 -, em fazer da fotografia uma espécie de elemento narrativo, cujo tema às vezes sugere seqüência, história e ritmo. Parte disso pode ser resultado do trabalho como jornalista, Bisilliat, fotógrafa revista Realidade, da Editora Abril, para quem realiza um de seus trabalhos mais conhecidos, o ensaio Caranguejeiras. Em um mangue de Pernambuco, registra o trabalho das coletoras de caranguejos, que mergulham na lama, com barro da cabeça aos pés. Longe de fazer uma denúncia das duras condições de vida das caranguejeiras, Bisilliat mostra seus gestos e movimentos nas fotos como uma espécie de dança. Ora parece que a vertente de pintora influencia a fotógrafa, ora justamente o contrário. Mesmo depois de abandonar o fotojornalismo, essa preocupação em registrar e, por vezes, resgatar um Brasil "desconhecido", continua norteando boa parte de sua obra. O interesse nesse registro dos sertões e do Nordeste parece também guiar seus trabalhos fotográfico-literários. Depois de ler Grande Sertão: Veredas, Bisilliat viaja, por sugestão do próprio Guimarães Rosa,1 em busca dos cenários onde se passa a obra, a fim de "testemunhar esse mundo". O resultado é o livro A João Guimarães Rosa, que combina trechos de Grande Sertão com imagens da fotógrafa. O livro, além de traçar paralelos entre escrita e fotografia, é, apesar de muitas vezes relacionar diretamente tema e trecho, quase uma releitura poético-visual da obra de Guimarães Rosa. Se, para ilustrar a frase "Trabalhar é amassar as mãos... que isso é que sertanejo pode, mesmo na barra da velhice", ela usa uma imagem bastante literal - uma senhora de idade trabalhando - a força quase lírica dessa imagem suplanta qualquer intenção simplesmente educativa de mostrar ao leitor o mundo tratado por Guimarães Rosa, e dá lugar a uma visão própria de Grande Sertão e, sobretudo, do Brasil. Já na fotografia que ilustra a frase "Eu sou donde eu nasci. Sou de outros lugares", por exemplo, Bisilliat praticamente cria um personagem novo para o livro, um senhor taciturno, de olhar rígido, de pé no limite entre ficção e realidade. Esse limite vale lembrar, é um dos fatores que atraem Bisilliat à obra de Guimarães Rosa: para descobrir o que era real no livro, ela, paradoxalmente, captura imagens que não se decidem entre a ficção e a realidade. Mesmo numa cena típica, como um peão dirigindo uma boiada, a imagem parece falar mais de literatura do que do mundo real. Mesmo se as legendas fossem de cunho jornalístico, o ensaio fotográfico seria mais poético do que de reportagem. Isso explica, por que Bisilliat abandona a fotografia e passa a se dedicar ao vídeo. Seus documentários carregam algo da força poética de sua obra fotográfica.

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    Sheila Maureen Bisilliat