A parte que mais me chamou a atenção foi descobrir que o personagem é um detetive das antigas da DC Comics. Que foi reinventado pela dupla Azzarello e Risso. O transformaram em um tipo de detetive do começo dos anos 2000. Longe de ser hard boiled. É mais um pouco John Constantine, na parte de ser velho e também ser velhaco, à sua maneira.
Johnny Double é um detetive que fez pouca investigação. Passou mais tempo em um bar, tomando muita cerveja. O começo da história é no estilo detetive particular. Um trabalho que parece fácil, mas que tem seus mistérios guardados. Um tipo millenial de femme fatalle. Uma gangue de jovens que tem habilidades de Hackerman pouco explicadas. É aqueles negócios de internet. É, novamente, o roteirista tentando dar um ar contemporâneo (começo dos anos 2000) para a trama. Aí, meio que do nada, a trama se torna um tipo de heist, onde há um objetivo, um roubo, e uma equipe. Cada integrante teria o seu papel. Os planos não dariam totalmente certo, e por aí vai. Acontece que foi um heist bem meia boca. O Double idoso atuou nesse papel basicamente por conta de ser velho. Pois um eventual filho do Al Capone deveria ter essa idade. Quer dizer, o hacker genial não cogitou de forjar documentos para que um deles fosse um eventual neto do Al Capone. Afinal, aparentemente eles fraudaram diversos documentos para que o saque parecesse legítimo. Ah, sim, em tese tem uma explicação que fecharia isso tudo.
A parte final da trama se torna um tipo de situação impossível envolvendo o mundo do crime. O fato do Johnny Double ser um detetive não muda praticamente nada. Poderia ser uma versão do Constantine que não sabe nada de magia. É nessa hora em que as peças se juntam. E o protagonista nota que foi uns 80% otário. Aí recapitula e em poucas páginas tudo se encerra. Com bem pouco trabalho de detetive. O mistério aconteceu e se explicou à revelia das ações do protagonista.
Está muito distante de ser uma 100 balas. Mas pelo menos não chega a ser um Batman: Cidade Castigada.