Traduzido por José Paulo Paes, esse é um livro incandescente, estes poemas, consumidos de desejo, perseguindo a chama para além da morte nas cinzas vivas. Poesia sempre pronta aos beijos que ressuscitam, o canto de Éluard levanta-se obstinadamente sobre a ruína do mundo – solidão, desespero, pobreza – seu conjunto de imagens carnais, cintilantes. Éluard afirmava: “Os poemas sempre têm grandes margens brancas, grandes margens de silêncio, onde a memória ardente se consome para recriar um delírio sem passado”. É por isso que esta poesia tem uma vocação inaugural; nesse sentido, Éluard prolonga a ambição de Rimbaud de uma poesia que estaria “à frente”, como uma promessa de vida futura.

