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    Rashômon - e Outros Contos

    Ryunosuke Akutagawa

    Hedra
    2008
    204 páginas
    6h 48m
    ISBN-10: 8577150941
    Português Brasileiro
    4.1
    420 avaliações
    Leram626Lendo67Querem804Relendo0Abandonos12Resenhas53
    Favoritos31Desejados804Avaliaram420

    O livro traz dez histórias escritas por Ryûnosuke Akutagawa, um dos representantes do moderno conto japonês. Reúne contos de diferentes períodos da curta vida do autor, que cometeu suicídio aos 35 anos de idade, e durante a qual escreveu mais de 150 contos, além de poemas. Em Rashômon e outros contos , Akutagawa aborda desde aspectos da cultura ancestral japonesa até a fase contemporânea de seu tempo, a da abertura de seu país à cultura ocidental, incluindo a temática cristã e a crença de que progresso tecnológico alçaria o Japão ao grupo das grandes potências mundiais. Dois de seus contos escritos entre 1923 e 1927, "Passagem do caderno de notas de Yasukichi" e "A vida de um idiota", são tidos como autobiográficos. O conto "Rashômon" serviu de inspiração para o filme homônimo e uma das obras-primas do famoso cineasta japonês Akira Kurosawa, premiado em 1950 no Festival de Veneza.

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    Erika  picture
    Erika 11/01/2011Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Uma prosa de muito talento e de forte carga psicológica

    Finalizei a leitura de Rashômon e outros contos, de Ryûnosuke Akutagawa, em edição organizada e traduzida pelas professoras e pesquisadoras Madalena Hashimoto Cordaro e Junko Ota. A leitura de uma obra oriental é sempre algo de enriquecimento ímpar para mim. Ter contato com um tipo de prosa que, a meu ver, trabalha com uma estética diferenciada, com uma lógica diversa daquela em geral empregada no Ocidente, e com aspectos de valor literário também distintos daqueles geralmente caracterizados no cânone deste lado do mundo contribui para “expandir” o meu horizonte de leitura – algo muito importante para alguém que está se dedicando ao estudo do Japão. Entretando, a leitura desta obra de Akutagawa não está diretamente vinculada a nenhum compromisso de estudo, mas à curiosidade de ter acesso aos dois contos deste autor (“Rashômon” e “Dentro do bosque”) nos quais Akira Kurosawa se baseou para produzir o longa-metragem Rashômon, ao qual pretendo assistir. Queria primeiro ler o original para compreender as intervenções de Kurosawa no processo de constituição do filme. Mas a prosa de Akutagawa me fisgou de uma tal maneira, que a leitura inicial de apenas dois contos do volume se transformou na leitura do livro inteiro. A edição já começa com um ensaio formidável de autoria de Madalena Hashimoto sobre a vida e a obra do autor, com direito a comentários sobre cada um dos contos presentes no livro. As informações sobre os conflitos reais da vida de Akutagawa e do contexto histórico de sua época também são fundamentais para a compreensão de seus contos, principalmente daqueles com fortes traços autobiográficos. O texto da professora Madalena quase que esgota o que se pode ser dito sobre esses contos, além de citar outros – ausentes na obra –, mas que são relevantes para o entendimento da produção deste autor japonês. Fazem parte do livro: - Rashômon (1915); - Dentro do bosque (1922); - Memorando “Ryôsai Ogata” (1917); - Ogin (1923); - O mártir (1918); - Devoção à literatura popular (1917); - Terra morta (1918); - O baile (1912); - Passagens do caderno de notas de Yasukichi (1923); - A vida de um idiota (1927). A seleção de textos para o livro foi extremamente feliz. Abrange períodos variados da curta produção literária de Akutagawa e destaca momentos relevantes da história do Japão, como a presença do escritor francês Pierre Loti em terras japonesas (O baile); a morte do expoente da poesia haicai, Matsuo Bashô (Terra morta); os conflitos de temática cristã no país (Ogin, Memorando “Ryôsai Ogata” e O mártir); o doloroso processo de criação literária e seus efeitos de recepção perante a sociedade japonesa (Devoção à literatura popular); além da produção de teor autobiográfico (A vida de um idiota). “A vida de um idiota” é o conto que encerra o livro e traz consigo forte carga psicológica. É, na verdade, um apanhado geral dos principais acontecimentos da vida de Akutagawa e também uma antecipação de sua morte, ocorrida um mês depois de finalizado o manuscrito e exatamente da forma como é nele relatada. Ryûnosuke Akutagawa foi um dos mais brilhantes autores da literatura japonesa. Nascido no ano, no mês, no dia e na hora do Dragão (por causa disso, o “Ryû” de seu nome é a leitura japonesa de dragão), carregou consigo durante a vida toda o estigma da loucura (mal que matou sua mãe), em uma época na qual se acreditava que essa doença era hereditária, e viveu uma vida conotativamente amarrado às convenções familiares japonesas, sempre com a grande responsabilidade de cuidar de todos os parentes, e cercado por pessoas psicologicamente problemáticas. Sua produção literária mescla fortes elementos sociais do Japão não apenas de sua época, mas também faz o resgate de importantes nomes e fatos de momentos anteriores de seu país. Simultaneamente, alguns de seus escritos demonstram grande influência europeia, sem, no entanto, pôr em risco a questão de sua identidade textual, sempre muito rica nas construções psicológicas de seus personagens, além de muito bem trabalhada visualmente por meio de refinadas descrições.

    19 curtidas

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    Avaliações

    4.1 / 420
    • 5 estrelas30%
    • 4 estrelas42%
    • 3 estrelas25%
    • 2 estrelas3%
    • 1 estrelas0%
    Ryunosuke Akutagawa profile picture

    Ryunosuke Akutagawa

    Ry&#363;nosuke Akutagawa (em japonês: &#33445;&#24029; &#40845;&#20043;&#20171;, Akutagawa Ry&#363;nosuke) foi um escritor japonês ativo no Japão durante o período Taish&#333;. Ele é considerado o pai do conto japonês, e é famoso por seu estilo e suas histórias ricas em detalhes que exploram o lado negro da natureza humana. Era conhecido por ser um crítico aberto do naturalismo. O principal prêmio literário do Japão, o Prêmio Akutagawa, é nomeado em sua homenagem. No final de sua vida, sua saúde mental começou a declinar, tornando crises de ansiedade e alucinações visuais frequentes. Assistido por seu amigo poeta e psiquiatra Mokichi Sait&#333;, Akutagawa cometeu suicídio aos 35 anos por <i>overdose</i> de barbital.

    27 Livros
    41 Seguidores
    Ky&#333;bashi, Japão

    Ryunosuke Akutagawa