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    Um Obscuro Encanto - Gnose, gnosticismo e poesia moderna

    Claudio Willer

    Civilização Brasileira
    2010
    462 páginas
    15h 24m
    ISBN-13: 9788520009468
    Português Brasileiro
    4.7
    10 avaliações
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    Um obscuro encanto: gnose, gnosticismo e poesia moderna, de Claudio Willer, além de constituir uma lúcida análise do gnosticismo e suas imbircações na poesia do Romantismo até a atualidade, abre-se à discussão das relações entre a heterodoxia e criatividade poética. Ao abordar temas da tradiçõa do pensamento gnóstico e suas confluências na literatura, revela inclinações de poetas inovadores que se valeram de perspectivas sincréticas e heterodoxas na construçõa de poéticas abertas. Inclinações gnóticas, nas quais criar implicava a busca de sabeodria na experimentação verbal do novo, sem fronteiras fixas que ritualizassem ou tornassem previsíveis processos do conheicmento. Poesia discutida através de vozes e práticas poéticas de quem se viu à margem, às vezes incompreendido por seus contemporâneos, como no exemplo clássico ce Rimbaud. (...) (Benjamin Abdala Junior, extraído da orelha do livro)

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    Fábio Ribas Wanderley Dantas picture
    Fábio Ribas Wanderley Dantas27/07/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Um obscuro encanto

    “Um obscuro encanto” é, antes de tudo, uma obra de folego. Durante sua leitura, atravessamos pelo menos 2.000 anos de história, desde o nascedouro do cristianismo. Mas, por suas raízes gregas, egípcias e fenícias do gnosticismo, o autor retorna a esses tempos longínquos, passeando conosco pelo maniqueísmo, zoroastrismo, a cabala judaica e as antigas religiões de mistério. Tudo para mostrar que o gnosticismo, embora tenha tomado corpo ao lado do cristianismo, teve suas ideias e temas tratados anteriormente em várias épocas e lugares. O objetivo do autor, Claudio Willer, é mostrar os desdobramentos do gnosticismo na literatura, especialmente na literatura moderna. Para alcançar esse propósito, ele precisa definir o que seja gnosticismo, gnose e suas características para que, então, possamos perceber sua presença na literatura. Inevitável, da maneira que o autor trabalha, não concluir que, antes mesmo de tudo isso que foi tratado no livro como origem do gnosticismo, o jardim do Éden é o lugar primordial para o nascimento dessa cosmovisão. Até mesmo, muitos poetas e escritores gnósticos se identificaram na história como “descendentes de Caim”. Se for assim, poderíamos reduzir tudo o que há no mundo a apenas dois grupos, como a própria Bíblia o faz no livro das Gênesis: os filhos de Set e os filhos de Caim. O fato de Deus ter revelado que a desobediência traria morte, caso ocorresse, tem como contraponto a proposta satânica de um conhecimento não pelo viés da revelação (o que exige fé), mas pelo conhecimento. A proposta da serpente é a de um conhecimento, assim, é de se entender que, para o gnosticismo, não é o pecado o mal da humanidade, mas a ignorância. Satanás continua, diariamente, propondo que troquemos a revelação pelo conhecimento que ele tem a nos dar. Portanto, até hoje, teríamos a luta entre a cosmovisão revelada na Palavra e a cosmovisão gnóstica, presente em maior ou menor grau nas demais religiões, até mesmo nas cristãs. Para compreendermos melhor isso, passemos à caracterização do corpo gnóstico. Partindo da premissa que Cristianismo e gnosticismo nasceram do mesmo solo judaico, passemos a ver o que compõe, de modo geral, o gnosticismo: 1) O “EU” fechado — característica dos autores gnósticos é seu individualismo, fechado para o outro, voltado, meramente, ao auto-conhecimento; 2) A reintegração com o divino (fusão) — o caminho da gnose é levar o adepto a uma fusão com o divino, o gnosticismo não é voltado para este mundo; 3) A salvação da ignorância — como já foi dito, não há no gnosticismo o conceito de pecado e queda como apresentado pela Bíblia. Na verdade, “pecado” é falta de conhecimento e “queda” é atribuída a Deus, Deus errou, por isso o mundo é mal (em geral, há a presença de um demiurgo); 4) O conhecimento é subjetivo com exclusão do objeto — é a descoberta de si mesmo a gnose; 5) Não há separação entre o sujeito e o objeto — o individualismo gnóstico leva a uma fusão com tudo (obviamente, estamos falando de um solipsismo); 6) Visão mítica do mundo — não há interesse com a história e com o aqui e agora. As escrituras gnósticas são desconectadas do espaço e do tempo. A realidade é mítica e deve ser buscada no conhecimento dos arquétipos; 7) Há a presença nos escritos do registro de glossolalias; 8) É um movimento elitista; 9) Iniciático, sincrético e heterodoxo; 10) Expressa uma cosmovisão dualista, eterna luta do bem contra o mal.

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    Claudio Jorge Willer

    Claudio Jorge Willer (São Paulo, 2 de dezembro de 1940 – São Paulo, 13 de janeiro de 2023) foi um poeta, ensaísta, crítico e tradutor brasileiro. Formou-se em sociologia e psicologia pela USP, onde chegou a lecionar; ocupou cargos na Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo e na UBE. Colaborou com diversos jornais e revistas como crítico literário.

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    São Paulo, Brasil

    Claudio Jorge Willer

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